30 de agosto de 2009

Quem é você? Será que as suas palavras são feitas sob medida?

É. Eu acho que vivo de aparências. Consigo, agora, perceber a complexidade dos meus atos, pensamentos e palavras. O engraçado é que sempre me orgulhei de não ser a típica ‘Maria vai com as outras’ que eu enxergava nas pessoas ao meu redor. Se necessário, gritaria este fato consumado para qualquer pessoa. Encho os pulmões para me orgulhar o quanto mudei e que agora sou uma pessoa esclarecida. Falo de meus erros passados como se a verdade absoluta estivesse ao meu lado no presente. Quanta arrogância, a minha.

Insegurança.

Foi quando a Márcia, delicadamente, me expunha o meu erro que um ‘CLICK’ se fez presente para me fazer notar uma pequena porção daquilo que eu não sabia, ou queria saber. Suavemente, ela me surpreendeu com mais uma observação em que eu pude perceber o que era evidente. A insegurança.

Admito que não lembro de determinados momentos de nossa conversa, uma vez que eu estava no meio do furacão de pensamentos. Lembranças que só serviam para me mostrar o quanto àquela mulher estava certa ao me apontar uma pequena opinião. Fui sugada para o meu banco de memórias só para constar o tamanho da palavra que estava me assombrando naquele momento. I-N-S-E-G-U-R-A-N-Ç-A. E nesse momento eu me senti nua. Senti o muro invisível construído em volta deste fato balançar e, como num passo de mágica, ele se mostrou diante de mim, com letras garrafais que diziam: “Patrimônio tombado”. No terminar da leitura e releitura da frase, senti um frio correr minha espinha vertebral. Para derrubar aquele muro de Berlim, eu teria que enfrentar uma guerra. A batalha seria contra o meu maior e mais forte inimigo: Eu mesma. O Ocidente e Oriente, que são as vítimas do meu julgamento, merecem a época de paz. Será que sou forte o suficiente?

Quanto mais penso sobre isso, mais eu vejo que muitas das minha ações e pensamentos são reflexo dessa insegurança toda. Quanto eu já perdi por estar presa às minhas próprias convenções? Estou me deparando agora com o mundo difícil que é a minha cabeça, os meus sentimentos. O que devo fazer para mudar?

Eu não gosto que as pessoas me julguem, mas mesmo assim eu julgo os que estão a minha volta. Hoje, quando fui para aula, me peguei em vários momentos julgando os outros, criticando mentalmente as atitudes deles. Isso é errado, não é? Percebi que faço do meu cérebro um grande tribunal da justiça, onde a única Lei que vale é a minha verdade. Notei que passo mais tempo nesse caminho do que em qualquer outro. Parece que nesse tempo todo que fiz da minha alma a prisão dos ‘achismos’ sobre tudo e todos, eu empobreci o meu espírito.

Mais um adjetivo ronda o meu ser, “Hipócrita”.

De vez em quando o pensamento de que as pessoas se afastam de mim quando passam a me conhecer passa pela minha cabeça. Ou será que eu me afasto das pessoas quando passo a conhecê-las melhor?

Onde está o núcleo desse dilema?

23 de agosto de 2009

Me sentindo muito repetitiva >_< E agora?

O ontem, o hoje, será que vamos ter o amanhã?

Quem é você?

A pele e o osso estão me dizendo que te conheço, mas eu ainda não consigo aceitar essa nova pessoa que vejo em seus olhos.
A insegurança que você traz me dá medo.
Medo de que você nunca volte mesmo estando aqui ao meu lado.

Você ainda está ai?

Onde está aquela pessoa que eu pensava admirar?
Acho que nunca existiu.
Porque, pensando bem, você mentiu pra mim várias vezes.
Você me criticou e eu não sabia o que dizer.
Acho que você não percebia que eu ficava constrangida.

Lembra de quando achávamos que éramos iguais?
A nossa arrogância nos uniu. Engraçado, não é?

Só que você nunca percebeu que a minha arrogância era só um escudo para ninguém me ferir.

Quando eu olhava pra você conseguia ver o muro que estava ali.
Pensei que um dia eu poderia quebrar esse muro, mas ele ainda está aqui.
Você consegue ver também?

Será que eu deveria dar a importância que dou à você?
Será que você vale tudo o que eu penso que vale?
Por que tudo o que você diz tem que virar regra?
Ah, eu só queria saber.

Por que você fez questão de sofrer sozinho quando eu estava aqui esperando você resolver aparecer?

Ainda somos amigos?

Ainda somos conhecidos?

Você ainda sabe o meu nome?

Parece que eu nunca consegui chegar em você...

4 de agosto de 2009

Sonhos Verdes e Intangíveis

Eu não entendo quando você fala " Quando eu estou aqui você nunca escreve nada, eu me sinto como se... te atrapalhasse. Entendeu? ". Eu não entendo quando você diz que é melhor você ir embora para o meu bem. Eu não entendo como isso surgiu na sua cabeça de uma hora para outra. Por que foi de uma hora para outra que você fez uma revolução na minha cabeça dizendo coisas que eu não entendia.
Eu quero entender!
Não pense que você significa pouco pra mim.
Não pense o que você não sabe.
Enquanto você estava escrevendo coisas que eu não conseguia compreender, o meu desejo era estar ao seu lado para te acalmar, te abraçando para depois te perguntar o que estava acontecendo.

Foi a última vez que conversamos?

Eu não sei.
Só vai depender de você.
Mas eu só queria te falar que você estava explicando as coisas para você mesma.
Eu não consegui te alcançar e esse sempre foi o meu único desejo.

Penso em dias perfeitos
Quero te ver de novo aqui
Temos que acreditar

Que realmente algo mudou
Mesmo que seja dentro de nós


Você errou quando disse que você me inibia. Um grande erro.
Até conhecer você eu não conseguia escrever uma linha.
Até conhecer você eu não sabia da real magnitude da minha escrita.
Naqueles dias em que nos conhecemos, esses sim, foram dias tenebrosos.
Anos tenebrosos em minha vida.
Eram tempos em que eu estava perdida em mim mesma, perdida em quem eu pensava que era.

Até te encontrar.

Você era a minha fuga.
Uma hora de conversa me fazia esquecer da dor que estava alojada dentro do meu ser.
Você não perguntava sobre minha vida.
Você não perguntava sobre o meus problemas, mas eu não liguei pra isso.
Achava melhor assim.
Só assim eu podia me sentir melhor, ao menos um pouco.
Não pense que era sua culpa a falta de interessa na vida da outra, pois eu estava na mesma. Eu me satisfazia com o pouco que eu sabia sobre você.
Eu também negligenciei a sua vida.
Eu não tinha interesse em saber se você esteve chorando ou sorrindo.
Eu também tive a minha parcela de culpa nesse egoísmo.
Eu realmente não te entendo.
Não sei nada sobre você.
Me desculpa.

Sempre que nós estamos juntos
É você quem liberta o mal de mim

Sinto que a terra girou ao meu redor
Sinto que estamos mais longe da razão
Sinto uma saudade do que não me aconteceu
Sinto os teus instintos tão fortes quanto os meus

Você disse tinha vergonha de mandar os seus textos para pessoas que escrevem bem. Você disse que até chorou quando percebeu que eu era uma dessas pessoas que escreviam bem.

Eu digo que você estava falando besteira, que eu não sou tudo o que você ditou sobre mim.

Eu te mandava vários dos meus textos e você me mandava os seus, era tão legal pra mim que me doeu quando você falou que estava com vergonha de até falar comigo. Me senti menosprezada, mas acho que você não percebeu.


Eu sei os motivos que você decidiu partir, mas eu não consigo compreender.. Por quê ? Por que agora ? Por que assim do nada ? Você sabia que teria que casar muito antes de me conhecer. Você sabia de tudo. O que te fez querer parar de viver no nosso mundo particular e feliz ? Acho que foi alguma coisa que eu escrevi, não sei.

Eu também sei que eu não consigo compreender o modo de pensar da sua família. Me desculpa por tornar o seu problema maior ainda.

Nessa horas eu queria viver em um conto de fadas. Aí eu poderia te roubar no dia do seu casamento e fugir com você para sermos felizes para sempre.

Mas eu sei que nesse mundo não há espaços para contos de fadas e muito menos com duas princesas.

Eu ainda mantenho a vontade de te encontrar. Um objetivo. Quero ver nos seus olhos o amor que você diz sentir por mim para, então, poder te roubar um beijo que pode marcar o fim do que nunca houve entre nós. Aí, eu vou poder te guardar na minha memória como um amor.

Me desculpa de novo, mas eu não consigo me permitir o amor se eu não consigo ver a verdade nos olhos de quem estou apaixonada.

Quando você diz que vai embora, você consegue sentir o meu coração se acelerando de desespero? Você consegue sentir o buraco que começou a se formar ao ler as suas palavras? Acho que não.

Vou fazer o meu melhor para realizar o meu objetivo, enquanto isso..

Durma bem, minha querida de olhos virtuais.

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"Eu já estava pra casar com esse cara a muito tempo. Eu nunca vi ele direito, pra ser sincera... Eu não quero casar com ele. Então, acho que é melhor pra mim e pra você que eu vá embora. Entendeu?"

"Eu não sei o que dizer, nem o que pensar, de novo."

"Sei lá, só diga que não me ama ou coisas assim. "

"Eu também não sei o que dizer quanto a isso. Amor? Eu realmente não sei. Eu não sei o que eu sinto por você. Só sei que é especial e que a minha vontade sempre foi de te ver pessoalmente. O seu jeito sombrio de ser me encanta. Sombrio por que eu não sei nada sobre você. Não sei que idade você tem, não sei onde mora, o seu nome todo, com quem mora, seus planos para o futuro, não, eu não sei nada. O que existem são só especulações e uma foto que eu nem sei se é você mesma, mas essa foto já me encantou. De tal forma que eu não conseguia parar de olhar. Não conseguia parar de imaginar como poderia ser o jeito que você fala ou se você tem alguma mania. Coisas assim, sem importância, eu imaginei. Isso é amor? Eu não sei"

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E no final foi um adeus que eu não acreditava.

Será que eu te imaginei?

Por favor, me diga que não.

30 de julho de 2009

Degrau

Quanto tempo faz que eu me despedacei? Quanto tempo faz que eu deixei a minha vida de lado? Deixei os meus objetivos, sonhos e esperanças de lado. Deixei tudo em segundo plano. Eu sentia cada pedaço da minha força no chão. Tudo espalhado, fora do meu controle. O que fazer quando você não consegue juntar esses pedaços?


A vida é um jogo quebrado, isto é um jogo quebrado.


Ignorei a dor constante do meu erro e negligenciei meus atos. Envolvida em uma névoa de esquecimento de quem sou realmente. A nuvem de incerteza parecia me impedir de enxergar as consequências, mas eu tinha plena consciência das causas.


Não silencie um erro... Tenha responsabilidade.


O passado veio bater em minha porta querendo a repetição do erro cometido e eu cedi ao conforto da derrota. Seria mais fácil do que lutar pela vitória. Às cegas, eu procurava alguma maneira de retornar a pessoa que eu realmente era.
Só não percebi que eu mesma pus uma venda em meus próprios olhos.


O defeito fluido, a inexpressão e a fraqueza.
Com o tempo, o esquecimento plantado origina coisas esquecidas.



Eu sei a teoria.
Eu tenho que me esforçar e não deixar que as coisas fluam. Tenho que ser forte, levantar a cabeça e continuar a batalha que ainda está por vir. As minhas armas são esculpidas pelas minhas próprias mãos e ninguém vai fazer isso por mim.
A teoria é fácil,
eu sei de cor.

Debaixo dos escombros, a realidade é uma imagem distorcida
Acima de toda a profundeza
Isolamento, Ódio, Inveja, Ansiedade
Do nada floresce sem expressão, acima de tudo, emoção
Para disfarçar a vista desastrosa, o céu azul ri do que parece absurdo.


É estranho que, no momento crucial da batalha, eu recuo um passo. Bem na hora do primeiro tiro contra o inimigo. Eu recuo com medo e a angústia no peito.

O que fazer quando as suas mãos tremem diante de algo que você acha ser muito maior que você?
O que fazer quando você sente medo por estar no meio de uma batalha em que a sua vida está em jogo?
Ficar ou correr?
Mas para ambos se tem que obedecer regras.
Se ficar tem que encarar a morte sorrindo.
A coragem tem que dominar a sua alma
Se correr.. Tem que admitir que você nunca vai ser capaz de passar daquele ponto da sua vida.

Porque um vencedor tem que carregar as cicatrizes da batalha, tem que se ferir, ao menos o necessário.


[Em itálico são trechos das música 'Leech' e 'The Invisible Wall' do Gazette.]

28 de julho de 2009

Sem rumo

Ai ai. Eu tenho que ajudar a elaborar um projeto para a escola, mas tudo o que penso parece que vai dar errado.

Esse projeto já tem nome, porém não tem objetivo concreto.

Projeto Socializa.

Eu quero alguma coisa que chame atenção. Que faça as pessoas refletirem sobre o que está acontecendo no mundo e, principalmente, neste país. Quero eliminar pensamentos alienados e alienantes. Mas falta critividade da minha parte >_< style="font-style: italic;">


"Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer.

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro"


Me sinto perdida...

13 de julho de 2009

Destino - Mulher do ônibus

Aviso: Depois de ler esse post, COM CERTEZA, você vai me achar uma louca que persegue estranhos na rua. Eu sou apenas uma observadora. Nada mais que isso. Não me interpretem mal, por favor. >_<
Primeiro dia em que eu a vi = Ônibus 712
Tudo começou quando, um dia, eu estava voltando do curso. Lá estava eu, no ônibus, tentando esquecer o calor de quase 40°c quando uma mulher sobe naquele pedaço de aço que podia entrar em combustão a qualquer momento. Eu era a única passageira até o momento em que a mulher subiu no ônibus. Acho que ela chamou a minha atenção por ser muito bonita e por isso eu, na inocência, a observei mais demoradamente.
Ela pagou sua passagem, passou pela roleta, andou lentamente até o meio do ônibus e, simplesmente, parou e se segurou na barra de apoio (aquela barra de ferro que serve para você não sair voando no ônibus, sei lá como se chama aquilo) um pouco a minha frente. Aquilo me impressionou. E para quem não entendeu o motivo pelo qual eu fiquei impressionada = O ÔNIBUS ESTAVA VAZIO! NÃO TINHA NINGUÉM ALÉM DE MIM! Sacou? Aquilo me atordoou. "Qual é o problema dela? Será que ela tem hemorróida?" eu pensava. Não conseguia tirar o olho dela. A curiosidade me dominou completamente.
Quando o ônibus parou para mais passageiros subirem, eu percebi duas coisas cruciais! Ela segurava na barra de ferro com uma mão só! E não o bastante, ela segurava a barra de ferro com apenas TRÊS dedos. TRÊS. E, de novo, para quem não entendeu, eu explico. Você tem que segurar com todos os seus membros para não cair dentro daquele ônibus. Até os sexuais ajudam! (HASUASHUASHU Brinks) E ELA USAVA APENAS TRÊS DEDOS! Enquanto eu travo uma guerra diária naquele ônibus para não acontecer nenhuma tragédia, ela me vem com essa! Além dessa revelação apocalíptica, pude perceber o fato que ela fazia cara de nojo quando alguém passava perto dela. Evitava encostar nas pessoas se espremendo contra a barra de ferro para evitar o contado. Não sei se ela percebeu, mas eu não tirei o olho dela. Ela desceu dois pontos antes de mim e eu tratei de decorar o rosto dela e onde soltou.

Segunda vez = parada no ponto de ônibus.

Dessa vez foi rápidinho. Na verdade foi mais rápido do que eu queria. Como imaginei, não consegui esquecer o rosto dela. Mas acalmem-se! Eu não fiquei obsessiva por ela, okay? Nada daquele conto de amor a primeira vista e bater punheta pesando nela.(Foi uma piada, tá Fábio?) Nãããoooo. Eu só guardei a imagem dela no fuuuundo da minha mente para... Tá! Eu não tinha nenhum motivo para lembrar dela. Pense o que você quiser. Eu não sei por que e não discuta comigo. A louca aqui sou eu! Há!
No dia em que a vi de novo, eu estava, de novo, no 712 e ela estava parada em algum ponto ai da vida esperando a sua condução. (Pelo menos era o que parecia) Em um segundo lembrei-me dela e fiquei feliz. Mas, como disse, foi mais rápido do que eu queria. T_T

Terceira vez = de novo em um ônibus.

Dessa vez não foi no 712 que a vi, foi em um ônibus que iria em direção ao ShoppingCarioca (O Shopping mais perto da minha casa). Parecia uma repetição do que aconteceu no primeiro episódio dessa loucura. O ônibus estava vazio (Okay, estava um pouco mais cheio do que na primeira vez, mas tinha muitoooooos lugares ainda) e ela ficou em pé de novo! Com a mesma cara de poucos amigos e com três dedos segurando a barra de ferro no meio do ônibus. Eu fiquei vidrada nela de novo. Ela estava com um vestido social preto, linda. Dessa vez estava com os cabelos soltos e com óculos de grau*. Linda. Ela encontrou alguém conhecido e começou a conversar com a senhora. O sorriso dela era lindo, mas parecia um tanto melancólico daquele ângulo em que eu estava vendo, pelo menos. Ela conversou com essa senhora por algum tempo até que ela ( a senhora) teve que soltar do ônibus. E eu acompanhado tudo do fundo do ônibus. Depois de algum tempo ela soltou também. T_T E isso foi bem antes de eu soltar.

*Na primeira vez em que eu a vi ela estava com o cabelo preso, sem óculos e com uma roupa típica de verão, mas bem social.

Quarta vez = Shopping

Na quarta vez foi no aniversário da minha mãe. Eu estava sentada na praça de alimentação com minha mãe, meu irmão, o Fábio e a Marcelle quando ela passou. Eu SURTEI. Foram poucos segundos. Menos do que o episódio dela parada no ponto de ônibus. Ela passou do outro lado da praça, mas pela primeira vez a minha miopia não me enganou. Eu a reconheci. Do mesmo jeito que ela apareceu, sumiu. Não tenho muito que falar dessa vez. T_T

Quinta vez = motivo de eu escrever esse post

Se as outras vezes foram rápidas, essa foi na velocidade da luz! Eu estava no 712, indo pro curso, e ela estava do outro lado da rua enquanto o 'meu' ônibus passava. Eu a vi bem rááaaaaaaaaaaapido. T_T



Sou surtada. Eu sei.

11 de julho de 2009

Amor às avessas

Era fim de tarde quando Miro saiu de casa para o seu tão esperado encontro. Ele mal podia esperar estar com o seu amor sem ter que evitar o contato físico entre os dois. O momento que eles podiam libertar o sentimento, que eram obrigados a esconder, eram raros, porém era aproveitados cada instante. Estar com seu pequeno tesouro era a única coisa que ele queria na vida. Chris o entendia e não precisava de palavras para tal. A urgência dos dois em se amar era como se o fim estivesse tão próximo quanto da última vez que se tocaram. Era essa urgência que o fazia praticamente correr para o lugar em que se encontrariam naquela noite que prometia a fuga dos problemas da vida. Fuga do preconceito daquele amor que todos julgavam errado e incoerente.

Miro sabia que seu amor era errado. As tais convenções não "o permitiam" amar Chris. Sua família o condenava pela sua opção sexual e ele sofria por isso desde criança. Não era fácil ter uma opinião tão radicalmente diferente naquela época em que a mentalidade das pessoas era fabricada através dos meios de comunicação ou até pelos sermões que nos são imposto desde que somos inocentes crianças. Miro tinha noção do que poderia acontecer se ele e Chris fossem encontrados. Seriam separados. Nenhuma das famílias iriam facilitar o amor deles dois.

Quando era pequeno, Miro sempre foi perseguido por ser diferente e ele demorou a entender que não podia contar o que sentia para todos porque eles o maltratavam por isso. Ele era perseguido por seu amigos de escola e pela sua família. Miro sempre foi considerado a maçã podre da casa. Seu pai constantemente o espancava quando o menino demonstrava algum 'desejo errado'. E ele cresceu assim, escondendo 'o seu pensamento incorreto' e foi se adequando aos parâmetros de sua família e da sociedade.

Mesmo arfante, Miro, se sentia a pessoa mais feliz do mundo em saber que estaria com o seu grande amor em pouco tempo ao parar para respirar em frente da casa que ele sabia que Chris o esperava. Pronto. Ele sabia que, nos braços de Chris, o mundo se dissolveria e eles iriam se tornar uma só alma. Miro abriu a porta já com o sorriso da felicidade no rosto ao se deparar com a horrível cena que se instalava na sala da pequena casa...

Chris se encontrava aparentemente desmaiada no chão. Miro tentou correr em direção a sua amada, mas sentiu uma forte pancada em sua nuca que o fez desmaiar instantaneamente...

"Encaixotem os livres
Desinfectem os cantos
Estuprem as mulheres
Brutalizem os homens
Despedacem os fracos

Enfeitem a moda
Sodomizem as crianças
Escravizem os velhos

Fabriquem as armas
Destruam as casas

Façam render a guerra
Escolham os heróis


E queimem as bruxas

Deixa queimar...

E queimem as bruxas

Quem vai queimar?


Empurrem conselhos
Forneçam as drogas
Engulam a comida
Disfarcem bem a culpa
Protejam a igreja
Perdoem os pecados
Condenem os feitiços

Decidam quem vai morrer
Contaminem a escola
Violentem os virgens
Aprisionem os livros
Escrevam a história

Quem ordena a execução

Não acende a fogueira"

Miro desperta desnorteado sentindo sua nuca pulsar e latejar. Sente-se tonto e demora para se dar conta do que está a sua frente. Miro está deitado no chão frio e sua pequena e indefesa Chris estava estirada a sua frente, nua e com seu corpo dilacerado. Cortes fundos maculavam aquele corpo perfeito. Depois de alguns instantes Miro percebera que além de ferida, a pele de Chris, estava arroxeada. Mas não era o roxo de um machucado. Era o roxo da putrefação. Miro sentiu sua nuca latejar ainda mais com a revelação. Chris estava morta. Morta...

- Aaaaahh olha quem resolveu acordar! O menino que gosta de chupar uma boceta. - Cuspira o homem que estava sentado em umas das poltronas do pequeno cômodo.

-P-porque você fez isso, pai? - Parecia que tinham congelado a expressão de Miro. Seus olhos estavam arregalados mirando a moça em sua frente e, sem perceber, grossas lágrimas corriam em seu rosto que parecia estar anestesiado assim como o resto de seu corpo.

- Isso que dá ser uma aberração! Vocês estão pagando por estarem desobedecendo às ordens de Deus! - Gritou o homem. - Eu não sei aonde você aprendeu a ser o que é, não foi comigo! Eu não te ensinei gostar de 'mulhé'! Eu devia ter batido mais em você quando era criança, seu bastardo! - Ao falar isso, o homem, se levantou e chutou com força as costelas de Miro. Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco chutes. Miro sabia que ia morrer.

Miro não conseguia entender como ele podia ter feito o que fez. Sua vida estava acabada. Preferia a morte a ter que viver naquele mundo de preconceitos ainda mais sem ter Chris ao seu lado. E foi a morte que fez o favor para Miro em vir buscá-lo.

Fim.

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Manchete do dia seguinte:

"Casal se mata por não aguentarem a vergonha de serem heterossexuais.

Hoje em dia o índice de pessoas que tiram suas próprias vidas por serem um estorvo para a sociedade é alto. Graças a Deus que eles, pelo menos, tinham a consciência da aberração que são......"

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Moral da história:
João agora é Maria e vice-versa.

Trechos da música 'Quem vai Queimar' da Pitty.

10 de julho de 2009

"-Você tem medo da loucura?" "-Não. Eu tenho medo da ignorância."

Na minha última consulta com a Márcia, minha psicóloga, refleti várias e várias vezes sobre uma de nossas conversas. Em certo momento em que eu estava falando sobre a minha família, ela me perguntou: "Em muitos momentos que você fala, e repete bastante, parece que você tem medo da loucura. Medo de ficar louca. Você tem medo da loucura?" Esse comentário me surpreendeu bastante. Eu não esperava por isso. Não mesmo. Me permiti alguns momentos para refletir e respondi uma coisa em que eu, até então, nunca tinha parado para pensar e disse: "Não. Eu tenho medo da ignorância. Tenho medo de ser uma pessoa de mente fechada." Acho que em toda a minha vida eu não disse uma verdade tão pura e isso me levou a várias linhas de pensamentos.

Eu sempre gostei de estudar. Sempre. Mas não do estudo em si. Não de ficar sentada lendo alguma coisa ou estar em uma sala de aula escutando algum professor falar e falar. Eu sempre gostei do aprendizado. Descobrir alguma coisa na qual eu nunca ouvira falar. De me surpreender com alguma coisa que, para mim, era inimaginável.

Sempre gostei de ouvir a opinião dos outros sobre tudo. Chega a ser uma curiosidade infantil. Curiosidade que prende totalmente a atenção. Sempre gostei de opinar e debater sobre alguma coisa que eu gostasse. E tenho tentando me doutrinar em aceitar as opiniões divergentes à minha própria. Tenho tentado compreender cada ponto de vista e aceitá-los da melhor forma possível.

Coisas novas me fazem tremer de empolgação. A vontade de gritar é enorme. O mesmo acontece ao conhecer pessoas novas ou entender amigos velhos. Considero cada pessoa um enigma fascinante. Só por ter noção da grandeza do ser humanos. O quão nós somos complexos dentro loucura que é a vida.

O meu divertimento é o saber.

Saber sobre os ideais revolucionários.

Saber sobre a filosofia de cada religião e aprender com todas.

Saber coisas intrigantes das outras culturas.

Saber o que eu sou, o que posso ser, os meus próprios medos e dificuldades.

Saber tudo.

Saber sobre o nada.

Eu tenho medo de me tornar o que se chama 'cabeça dura'. Aquelas pessoas que são irredutíveis em suas opiniões e atos.

Tenho medo de me tornar menor do que posso ser.

Tenho medo de fechar a porta do saber, da aceitação e da compreensão.

9 de julho de 2009

Era uma vez Marcelle...

Prometi para ela que faria algum post sobre os seus surtos, então...


Quero começar contando sobre o dia em que conheci a Marcelle. Foi no primeiro dia de aula na minha velha escola em que nos conhecemos e nos tornamos amigas. Nesse dia eu pisei no colégio com vontade de voltar pra casa por causa do Fábio. (eu estava me sentindo excluída porque eu teria que me sentar sozinha, já que ele sentaria com o Guilherme de agora em diante) Quando entramos na sala da primeira aula, ele foi sentar-se nas carteiras em frente à professora junto com o Guilherme e eu, puta da vida, fui me sentar duas fileiras atrás dele já que tinha uma estranha sentada sozinha atrás deles. Logo sentou uma outra estranha ao meu lado, que depois descobri se chamar Fernanda, e não lembro como nós começamos a conversar, mas a garota estava escrevendo o seu e-mail no meu caderno para eu adicioná-la no orkut quando ela me perguntou se no yahoo tinha que colocar o "br" no final e eu, noob que sou, não sabia responder. Quando, do além, a estranha, sentada sozinha a nossa frente, virou pra trás e, simplesmente, respondeu a pergunta. Achei ela meio louca e intrometida. ( E isso se confirmou quando a conheci de verdade ^^) Mas não fiquei irritada. Ela falou tão naturalmente que parecia que ela já estava na conversa. Depois disso eu realmente não lembro o que nós conversamos, mas nesses primeiros tempos de aula eu não tinha dado importância para essa garota. Ela tinha uns papinhos estranhos.

Mas tudo mudou no terceiro e quarto tempos de aula! (A professora de literatura é um saco com pentelho encravado e inflamado e não me importei em conversar na aula dela) A estranha sentou na minha frente de novo, porém agora quem sentou ao meu lado foi a Georgeane (ela foi da minha sala no segundo ano também) e começamos a conversar sobre livros, principalmente um certo livro que eu emprestara para ela e que ela demorou séééééculos pra ler. Não sei ao certo como começou esse assunto, mas a Georgeane já estava me irritando com os seus argumentos infundados. Ela falava que livros de vampiros são inadequados para crianças e olha que ela só tinha lido UM livro de vampiros e foi o que eu emprestei pra ela. Nota: Livros de vampiros não são pornográficos ( dependendo, claro!) ou coisa assim, a diferença é que a linguagem é mais sensual devido aos próprios personagens. Ela é que adora generalizar. Mas enfim, quando o assunto foi para 'Crepúsculo' a estranha novamente se manifestou e, detalhe, foi por causa de mais uma das antices da Georgeane, já que ela cismara que o filme Lua Nova já ia lançar. Há! O Crepúsculo mal tinha lançado! OMG! Eu falava, mas ela parecia ignorar tudo o que eu dizia! Até que a estranha deu sinal de vida. Ela se virou e disse que não podia ser o Lua Nova por que o Crepúsculo tinha lançado em Novembro e não teria dado tempo para filmarem. Só nesse momento a Georgeane se deu conta que estava falando caganeira e foi logo dizendo que devia ser o trailer de outro filme de vampiros que havia visto. (/HeadShot na Gerogeane)

Descobri que ela estava lendo o Lua Nova e eu comecei a surtar por isso. Nota²: Na época do lançamento do Crepúsculo eu não estava nem ai para esse filme. Até que, um dia, eu estava na casa do meu melhor amigo Felipe Zero e ele estava fazendo o 'rango' pra gente e eu estava no maior tédio. É nessas horas que o meu instinto fofoqueira desperta. Eu comecei a futucar as coisas no quarto dele e encontrei o livro 'Crepúsculo' jogado em um canto. A capa me chamou atenção e reconheci o título por causa do trailer na Tv. Eu não sabia direito sobre o que era a história, mas como eu estava sem nada para fazer comecei a ler o livro. Moral da história: Contrabandiei o livro dele para minha casa e terminei de lê-lo em 3 dias. Persuadi a minha mãe para comprar o Lua Nova e terminei de lê-lo, novamente, em 3 dias. Como os outros não tinham sido lançados no Brasil eu tive que recorrer para a Internet. Em duas semanas eu terminei de ler os dois livros restantes. Estes eu demorei mais porque eu tinha que ler no computador.(/Nota²) Sempre quando eu conheço alguma coisa nova eu SURTO, então eu tentei fazer o Fábio surtar comigo por que eu não tinha ninguém para conversar sobre o livro, mas ele nunca me escuta quando eu digo que alguma coisa é boa ou legal. (¬¬ Idiota) Então a Marcelle foi a primeira pessoal na qual eu surtei por causa de Crepúsculo. Foi por isso que nos tornamos amigas. Depois eu ainda descobri que ela mora perto de mim! Fiquei muito feliz. Maior coincidência, ?Nós passamos o resto da aula surtando por causa do livro.

Quando as aulas acabaram e saímos da escola teve um fato beeeem marcante. Na esquina em que nós viraríamos para ir em direção onde moramos tinha alguns elementos muuuuuuuuuito suspeitos parados e virados em nossa direção. Acho que eram uns três, não lembro direito, mas sei que entramos de novo no colégio a fim de esperá-los irem embora. Coitadinha da Marcelle, primeiro dia de aula e acontecia aquilo. Ela estava com muito medo. Eu acho que ela atrai essas coisas, pois eu estudo três anos no mesmo colégio e NUNCA tinha acontecido nada parecido. Ficamos algum tempo esperando-os resolverem irem assaltar outras pessoas e eu já estava ficando impaciente com a demora. No momento em que ele viraram a esquina eu saí do nosso 'esconderijo'. Ela me puxou com força pra eu voltar. Não entendi a reação dela e somente disse 'Eles já foram' e ela estava quase chorando dizendo para esperarmos mais. Depois eu soube que, naquele momento, eu fui denominada de PEITO-DE-FERRO por isso. Eu sei que eu sou meio frígida, mas não tenho tal poder, viu Celle? Esperei mais um pouquinho e, com ajuda do Fábio, carregamos ela em direção da mesma esquina dos pseudos-marginais. Foi engraçado ver a cara de choro dela. Foi realmente engraçado. Celle bundona!

Ela é uma pessoa realmente interessante. Inteligente na mesma medida que é preguiçosa. Insanidade e responsabilidade estão competindo na vida dela. A Marcelle tem o DOM de escutar a conversa alheia. É engraçado que ela está olhando para você, mas está concentrada em alguma assunto do outro lado da sala. HUASHUSAUHASHUASUHASHU Nós surtamos muito juntas. Seja imaginando a gente ficando com seres alienígenas que não sabem fazer uma ligação dupla e tem as pernas arcadas ou simplesmente por causa de uma lagartixa.

Faz, apenas, 5 meses que a conheço, mas parece que fazem séculos de amizade! Tomara que continue assim para sempre.

Lovo-te Celle. xD