23 de novembro de 2009

Escarro


Acabei de assistir uma peça de teatro em minha escola e esta me deu alguns dilemas sociais para refletir. A peça foi constituída de apenas dois atores, bons por sinal. Se me permitirem a esdrúxula comparação, a peça tinha cor de catarro. Todos temos, porém jogamos fora com ar de nojo, como se aquilo nunca tivesse saído de nós mesmo. Sim, caro leitor, a peça tinha aparência de escarro, pois falava de tudo aquilo que eu e você não falamos. Eles falaram e interpretaram tudo aquilo que o ser humano esconde no fundo da consciência para não termos que assumir a nossa própria culpa.
É fácil culpar os capitalistas pelo aquecimento global, é fácil culpar o assassino que apodrece em sua carcaça marcada. Tudo isso realmente é muito fácil. Difícil é admitir a própria culpa. Difícil é pedir perdão, vindo do coração. Difícil é olhar para o próximo e tentar colocar-se no lugar dele para sentir o que ele sente. Tentar entender o porquê de o assassino ter se tornado tão cruel. É fácil dizer que quem nasce ruim, quem nasce podre nunca se endireita. É fácil apontar o erro, difícil e estender a mão para os que choram sem lágrimas. Difícil é sentir a dor daquele que tem a ferida na alma e que não encontra remédio para a cura. Difícil é se tornar alguém melhor, não por interesse. Mas por vontade, pelo amor para com a humanidade.
Hoje assisti a uma peça que falava sobre a podridão do homem enquanto ser pensante. Vi de perto a reação do escarro da verdade atingir alguém como se fosse uma bala certeira de um revólver imaculado. Surpreendi-me... Aliás não. Tive medo. Sempre soube que existem pessoas que não se dão ao trabalho de refletir sobre o direito divino da vida. O belíssimo direito da vida. Tenho medo das pessoas que decoram e não entendem.
O ponto da dor foi ao final peça, ironicamente depois de palavrões e cenas de violência. Surpreendentemente, depois da menção de Jesus Cristo.

Injusto é aquele que suja as mãos com sangue de inocentes, que zomba e cospe daqueles que estão abaixo de si. Porém, de que serve a justiça se não para julgar? A nossa justiça que julga inocentes, culpados. E culpados, inocentes. A justiça que liberta um inocente e manda mais de mil para cadeia. A justiça que mata um bandido mata dez inocentes.    
 [...]
 O que é ser um bom exemplo? Desculpe, essa pergunta é muito difícil para vocês... Vou modificá-la. O que é ser um mal exemplo? Talvez encher a cara e bater com o carro? Por aqui isso todo mundo faz. Vender drogas para adolescentes? Por aqui isso todo mundo faz. Roubar? Isso por aqui todo mundo faz. Xingar? Brigar? Quebrar? Por aqui isso todo mundo faz. Não quero ser hipócrita, mas os justos só se fodem. Começando por aquele que morreu na cruz. Para alguns se matou a toa, para outros foi um herói. Dizem que um dia a justiça será justa. É difícil acreditar... A única coisa que não é tolerável é que jovens morram na mão das drogas, ou que crianças morram na mão na criminalidade. Não quero ver minha filha se tornar prostituta, sem motivo real. Você gostaria que a sua filha se tornasse uma prostituta ou que seu filho se tornasse um bandido, ou um assassino, um dependente de drogas? Tem coisa que não se é possível evitar, mas outras são escolhas e eu torno a perguntar. O que é ser um bom exemplo? Vocês acham que são culpados pelas coisas que acontecem no mundo? Pela poluição? Pelo caos urbano? Tem gente que nem ao menos sabe o significado da palavra ‘caos’. Como vou culpar essas pessoas se eles nem ao menos sabem o que fazem. Todos sempre acham que não tem culpa, que o mundo está assim por que Deus quer.Estão muito enganados! Se o mundo tá assim, a culpa é de você! São vocês que não assumem os seus próprios erros! Seus covardes! Se estão incomodados com o que estou falando, saiam!  [...]”
Quando o ator pronunciou esta última fala, uma garota bruscamente se levantou. Encaminhando-se para a professora e balbuciou algumas palavras que, para mim, foram apenas gestos com a boca devido à grande distância que eu estava dela. Depois, com a mesma impaciência no andar, foi em direção a porta. Fazendo do estrondo que fez ao sair toda a sua raiva com as palavras ditas.
Fiquei assombrada com tal gesto. Ela sempre fora uma garota tão gentil e afetuosa. Sua voz sempre demonstrou o timbre da passionalidade. Fiquei boquiaberta com tal desfecho. Percebi que até os atores se espantaram com a reação dela. Estou aqui tentando compreender o que ela escutou para ter tanta raiva. Foi o mesmo que eu escutei! Não vi, e nem li, nas palavras ditas alguma intenção de ofender a imagem de Cristo. Meus ouvidos captaram uma crítica direta ao ser humano. Quanto mais penso sobre isso, mais me vejo longe do que ela sentiu quando ouvira as mesmas palavras que escutei.
Para quem leu até esta linha escrita com a tinta do incompreensível, por favor, pensem. Pensem sobre o que escutam. Reflitam sobre o que acham. Revejam seus conceitos todos os dias, todas as horas. Somos mutáveis. Extremamente mutáveis. As evoluções das espécies provam tudo! Estudem. Leiam. Critiquem. Sintam a dor daquele que você nunca viu.
Não entendo como muitos olham para os feitos de Jesus com olhos cheios de emoção, vangloriando o que ele fez e disse quando não tentam ter, pelo menos um pouco, da compreensão que Ele teve? Acho que Jesus não sairia daquela sala. Acho que ele riria com gosto e aplaudiria a franqueza misturada com o humor que aqueles jovens atores apresentaram o tema. Ele iria estar tão feliz que seus amados irmãos conseguiram fazer da arte um instrumento do pensamento que iria estar com lágrimas nos olhos.
Curvo-me a tudo o que ele disse e fez com honra, sim, porém me curvo também diante daqueles que fizeram da sua própria vida uma idéia eterna. A idéia do pensamento individual. Curvo-me a todos que fazem de sua vida uma luta eterna em busca de um sonho. Curvo-me diante de cada ser humano que possua uma jóia única dentro de seu ser. Mas, não todos. Quero ser grata somente aqueles que esculpem sua jóia. Aqueles que procuram várias e várias formas que embelezar sua jóia.
A jóia, querido e paciente leitor, é a jóia dos pensamentos.

Peça: Vila Alfazema
Elenco: Ary dos Anjos e Victor Hugo

28 de outubro de 2009

Um depoimento com gosto de gelo


Percebi algum dia desses a enorme diferença que é estar em um colégio particular forte e estudar na rede pública de ensino.  Sei que todos que estão lendo essas linhas irão pensar: É óbvio que há diferença, será que ela não lê jornal não?! Sim, caro leitor, eu tenho plena consciência das estatísticas sobre a qualidade de ensino nas instituições educacionais não pagas do país e sei que estas estão em decadência. Porém o meu pensamento não estava voltado para a consequência  e nem a causa do péssimo estado dos colégios estaduais e municipais. Tentei olhar a partir do ponto de vista dos professores da minha escola.
Apesar de ser uma escola noturna, o meu colégio é muito bem organizado e bem constituído de professores. Quando, sutilmente, perguntei para cada professor em qual faculdade estes se formaram, descobri que todos, repito TODOS, fizeram graduação em instituições públicas. Há um professor de biologia que possui três faculdades, por exemplo. Biologia, Farmácia e Medicina. Espero que todos se demorem na última carreira, mesmo sabendo que esta ele fez em uma universidade particular tentem parar um momento para refletir. Medicina é difícil para entrar e mais ainda para sair. Depois dessa pequena análise me deparei com alguns dilemas, como por exemplo: Se a minha escola tem professores de alto nível, por que ainda é considerada de baixa qualidade? Nesse momento é que pude comparar a atuação dos professores do meu colégio com os do curso Bahiense. No decorrer do ano, tive que me adequar à essa ‘vida dupla’ de vestibulanda e aluna do terceiro ano do ensino médio e pude ter o privilégio de ter as mesmas matérias nos dois locais de ensino. Foram essas aulas que me permitiram fazer uma comparação à qualidade das aulas. Automaticamente percebi que o tempo de aula faz a aula ficar arrastada e perdurar muitas semanas, enquanto no Bahiense o mesmo conteúdo é visto menos da metade do tempo. Há também a vontade na convidativa dos alunos do meu colégio. O leitor que acha que os aprendizes a vagabundos do CBL são barulhentos, irritantes e  insuportáveis, não aguentaria um dia sequer em meu colégio, pois a maior parte dos alunos de lá nem sequer dão o devido respeito aos professores. Já tive o desprazer de presenciar diversas discussões vergonhosas entre aluno e professor. Muitos deles só estão lá para poder ter um diploma no final do ano.
Contudo, a principal característica que percebi em minha análise amadora é a diferença no olhar dos professores. No Bahiense, todos os professores possuem o mesmo calor nos olhos, excetuando-se alguns, claro. Não sei se o leitor já se permitiu divagar sobre esse calor à que me refiro, se não o fez, faça. E para mim esse calor é como fogo ardente que deveria ser guardado como patrimônio da humanidade. É o calor da felicidade em seu trabalho, de estar fazendo o que gosta de verdade e de sentir que aquele lugar na frente de muitos alunos, pertence a si. Sinto em dizer que não vejo frequentemente esse olhar em minha escola, excetuando-se alguns, claro. Acho que posso contar as vezes. O olhar frio dos professores me suga as energias. Por favor, leitor, não confunda o olhar que descrevo como  o olhar de frieza. Deixo registrado aqui que todos meus professores agem de maneira educadíssima com os alunos. Pensem em toda discrição que fiz ao relatar o calor dos olhos dos professores do Bahiense e olhem o outro lado da medalha e verão que o amor a educação deixou a alma dos meus professores.
É realmente muito triste, mas ‘bobeira é não escrever a realidade’.

P.S: Texto feito para ser colocado em um projeto que estou realizando, logo terá de ter esclarecimentos:
CBL: É a turma de segundo grau do pré vestibular que faço. As turmas são juntas.

Bahiense é nome o curso pré vestibular.

24 de outubro de 2009

Idealizações

Sempre tive uma certa curiosidade em saber o que as pessoas pensam de mim. Pode parecer meio estranho, mas fico meditando se o modo que as pessoas me veem tem alguma coisa a ver com o que acho de mim mesma. Obviamente sei que a minha própria opinião é a que mais importa, porém fico pensando se consigo transparecer pelo menos um pouco do que sou e do que posso ser. Tenho certo medo de idealizações infundadas, tanto dos outros para mim e vice versa.

Uma situação que pode exemplificar o que estou dizendo é a paixão. Por exemplo: Por que hoje em dia a maioria dos relacionamentos dura pouco tempo? Há muitos fatores que podem explicar essa pergunta, entretanto, pretendo demonstrar aqui apenas o ponto que quero chegar, okay?
Em minha opinião, o curto período que os namoros estão durando é o tempo certo que os defeitos do outro quebram a idealização da paixão.

Para mim, a explicação da paixão ser tão avassaladora é porque você ainda está vivendo com alguém que você imaginou. Você está lidando com a sua versão sobre o outro. Não me leve a mal, caro leitor. Não acho que a idealização da paixão seja ruim, pois sem ela nunca nos permitiríamos embarcar em qualquer relacionamento. Contudo, só os relacionamentos que sobrevivem à paixão é que poderão perdurar. O que o leitor acha?

É bom se apaixonar, aliás, é maravilhoso se apaixonar. Todavia, quando a idealização (paixão) leva ao conhecido amor platônico, pode acarretar em sofrimentos. Falo disso com a certeza de quem já teve mais amores platônicos do que reais. Pesquisando sobre o assunto descobri que o conceito de ‘amor platônico’ é bastante vasto, mas uma das explicações que pude contemplar resume tudo o que quero passar ao meu querido leitor:
[...]

A expressão ganhou nova acepção com a publicação da obra de Sir William Davenant, "Platonic Lovers" ("Amantes platônicos" - 1636), onde o poeta inglês baseia-se na concepção de amor contida no Simpósio de Platão, do amor como sendo a raiz de todas as virtudes e da verdade.


O amor platônico passou a ser entendido como um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve. Reveste-se de fantasias e de idealização. O objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem máculas. Parece que o amor platônico distancia-se da realidade e, como foge do real, mistura-se com o mundo do sonho e da fantasia. 

Concordo plenamente com o argumento e ainda quero acrescentar que o amor platônico não tem idade pra acontecer. Ocorre mais frequentemente durante a adolescência, porém imagino que adultos que não se vêem mais satisfeitos com o relacionamento também estão mais propícios as paixões idealizadoras. Acho que esses são os que mais sofrem com as consequencias desse estado quase dominador, uma vez que muitos já possuem uma bagagem de vida e na mesma medida, acham que já não tem mais o direito de se apaixonar como os adolescentes.

O que estou defendendo não é a opressão das paixões ( até que porque eu iria me contradizer ), mas sim, a paixão avassaladora com um requinte de coerência. Temos que respeitar o espaço do idealizado e sempre tentar nos lembrar que o ser perfeito não existe nestes caminhos humanos e imperfeitos.

18 de outubro de 2009

Registrando a ansiedade

Hoje percebi que o dia está chegando. O dia em que posso ficar muito feliz ou muito triste. Quero registrar aqui a minha ansiedade neste dia.

Pode acontecer o tudo. Pode acontecer o nada. Porém, quero enfrentar este dia com garra. Não quero me arrepender do que podia ou não ter feito. Quero saber que passei desta etapa em minha vida com coragem e não lembrar deste dia como um fracasso por falta de força de vontade.

Não sei o que pensar, nem como devo agir. Só tenho especulações insanas. Tenho, também, que estar sempre ciente de que posso vencer ou fracassar. Tenho que olhar para a porcentagem meio a meio de cada uma das possibilidades.

A ansiedade faz borboletas em minha barriga e estou feliz por poder estar lutando.

Obrigada quem estiver lendo e tentando decifrar o que escrevo aqui. O meu único objetivo é tentar universalizar o que sinto para que você, que está abdicando do seu tempo para ler o que escrevo aqui, olhar a minha vida através dos seus olhos e não dos meus. Quero que entendam que não procuro escrever tudo nos mínimos detalhes propositalmente, pois o que mais importa na minha escrita é passar o que sinto e não o que vejo, uma vez que reconheço que os nossos sentidos são falhos. Falho é, também, a minha opinião. Não quero passar onde meus pés passam e, sim, o que os seus pés sentem.

Por favor, tentem compreender o que escrevo com o coração aberto. Não fiquem espantados ou temerosos com as contradições que coloco neste espaço, pois as minhas contradições são as contradições humanas e universais.

Obrigada para os que se dispuseram a ler o que proponho.

12 de outubro de 2009

Estátuas Humanas

Para mim, palavras que não provem dos nossos sentimentos são insignificates palavras ao vento.

Argumentos não colocados sob a autoridade da autocrítica pecam pela falta de imparcialidade.

Frases prontas podem ser comparadas à mentiras quando não andam no mesmo passo do verdadeiro sentimento.

Enquanto escrevo sinto a dor das palavras que não vieram do coração. Sinto a dor das palavras que foram proferidas para ironizar. Sinto a dor das minhas palavras que são inaudíveis para a pessoa mais importante da minha vida. Sinto a dor por estar no meio dessa loucura de contradições.

Pensamentos engessados geram frases engessadas e atos repetitivos.

Sonho em um dia poder conhecer a compreensão dessas pessoas. Não a compreesão superficial que vemos ao montes, mas sim a compreensão que vem do coração.

Minha alma se despedaça a cada olhar de superioridade.

Em quem devo confiar?

Quais palavras devo dar crédito quando são jogadas ao vento com persuasão?

Ainda não tenho uma estrutura sólida suficiente para suportar isso tudo com calma na voz e nos pensamentos.

Minha consciência se rebela para me escutarem, porém a minha voz morre na escuridão dos corações engessados.

É errado sintir a esperança de pensamentos melhores?

É errado esperar a brisa da verdadeira humildade? Não quero mais encarar a humildade cobrada.

Não vejo em mim as forças necessárias para lutar contra gerações fabricantes de estátuas humanas.

3 de outubro de 2009

Ela voltou e  minha dor de cabeça passou.

Tem coisa melhor?

2 de outubro de 2009

Panthera onca


Barba cerrada e olhos felinos.
Lentidão em seus passos e traços.
Aos olhos universais há a pessoa estranha e com atitudes inesperadas.
Aos meus olhos há o fascínio no inexplorado e a tentativa de desvendar os mistérios.
Vejo em você um rastro de tristeza.
Me surpreendo a cada gesto seu como uma criança que está descobrindo a incrível dimensão do mundo ao seu redor.
Sinto em meu ser a curiosidade de abrir a caixa do impensável em relação a você.

Será que estou no meu estado perfeito?

Não quero me decepcionar com esse novo e interessante quebra cabeças.
Sempre considerei os seres humanos um enigma individual e incompreensível, mas você é a peça mais intrigante que já encontrei.

20 de setembro de 2009

O vestibular e a ansiedade

O que fazer quando tudo o que você deseja parece tão distante? Seus braços não conseguem agarrar aquilo que tanto deseja. O seu esforço diário para que tudo dê certo parece pouco, nada.
Essas são as questões que quero abordar durante esse breve texto em relação ao vestibular.

Durante esse ano de vestibular, pude perceber e aprender várias coisas sobre o ser humano e suas ansiedades. Já percebeu que as pessoas que se dedicam integralmente aos estudos têm algum tipo de transtorno? Quando me refiro a transtorno, quero apontar até para as pequenas alterações como a fadiga, dores de cabeça constantes, qualquer aparecimento de manchas pelo corpo, gastrite nervosa, caspa excessiva entre outros. O nervosismo e ansiedade causados pela antecipação da possível derrota e a exaltação da vontade de estudar promovem esses pequenos avisos no corpo. Esses alarmes do sistema biológico podem ser pequenos em algumas pessoas e estrondosos em outras (como poderão ver na série "ataque de pânico").

Vale ressaltar que grande parte dos vestibulandos são jovens e, em geral, não sabemos o real valor da saúde, uma vez que as doenças são extremamente efêmeras em nossas vidas. Esta afirmação se faz presente quando a seguinte opinião aparece: "Só passa no vestibular quem se mata de estudar". Aprendi da pior maneira possível que esta forma de ver o vestibular é a mais equivocada que existe, pois estudar não é comparável aos esportes. Uma vez que atividades físicas exigem repetição contínua. Estudar exige COMPREENSÃO contínua. No esporte fazemos o mesmo exercício várias e várias vezes, já nos estudos não há exercícios iguais. Tente abrir a sua mente para o que estou tentando lhe mostrar. O objetivo deste texto é melhorar as condições emocionais do leitor para esta fase em que nos encontramos. Não sou melhor do que você, de maneira alguma quero me expresse mal. Apenas quero compartilhar das minhas opiniões para que você possa compreender a MINHA forma de ver essa situação. Não significando que estou cem por cento certa.

Já percebeu que costumamos pensar mais na derrota do que na vitória no vestibular? Comumente os nossos pensamentos vão para a imaginação do que poderá acontecer se não passarmos. "Meus pais vão me matar", "Acho que, se eu não passar, vou desistir." "Ahh, quero que tudo isso acabe logo, não aguento mais essa vida." Parece que gastamos mais tempo pensando no futuro do que no próprio presente, onde tudo acontece e todos se modificam. Mas olhando por outro ângulo esse pensamento de que "tudo será melhor no futuro" é adotado como 'verdade' para muitas pessoas, em muitos lugares e em diversas regiões. Quando vago por esta maneira de pensar, vejo algumas falhas, digamos assim. Se o futuro será melhor, com certeza, não vai ser por vontade divina e, sim, pelo próprio esforço humano. Devemos rever nossos vocabulários quando dizemos: "A minha vaga na faculdade". Como assim "minha vaga"? Ninguém pode, ainda, fazer tal afirmação, pois as provas ainda nem terminaram. Cada tempo no seu tempo. A única saída que vejo é viver cada dia no seu próprio dia. Sem pensar no que pode acontecer no futuro. Devemos, sim, fazer de cada dia, o dia de aprender. Aprender sobre tudo até o dia da prova.

"Como saber que o vestibular está me asfixiando?" "Como saber que estou ansioso?" Fácil, fique um dia sem estudar. Se nesse dia você ficar com 'culpa' por não estar estudando, posso afirmar que você está fazendo do vestibular o centro de tudo quando somente é uma fase para alguma coisa maior. "Isso é errado?" Somente quando gera insegurança. E é a insegurança que pode fazer você errar muitas questões na hora da prova. "Não sou inseguro na hora da prova." Você já errou alguma questão por ter trocado de última hora por achar que estava errado? Se a resposta for 'sim', então foi por que, naquele momento, a insegurança dominou suas atitudes

Bom, se o leitor até agora não rasgou, tacou fogo ou rasgou este papel posso dar-me ao luxo de fazer uma referência literária para a melhor gestão da segurança na vida. O livro "O Código da Inteligência" do escritor Augusto Cury, aborda, com vasto conhecimento, o assunto. Indico este livro para todos os vestibulandos que perceberam que a insegurança atrapalha na hora da prova e até mesmo nos estudos. Por favor, leiam.

Quero dizer, por último, que tanto eu quanto o leitor devemos administrar e analisar nossos pensamentos em relação ao vestibular. A segurança e a lucidez na hora da prova são essenciais para o resultado positivo.

(Esse texto foi produzido com outro intuito além de ser um post para esse blog)

12 de setembro de 2009

Homo Paradoxal

Neste dia eu estava em meu quarto fazendo alguma coisa da qual não consigo me lembrar. Acho que estava lendo ou me concentrando em alguma coisa quando percebi que meus pais começavam a discutir novamente. Aquilo praticamente fazia parte do meu cotidiano. Sempre começava com a minha mãe falando alguma coisa mais ríspida com meu pai ou ele tentando atiçar alguma briga desnecessária.

Mas aquele dia seria diferente, seria mais aterrorizador do que nunca. O incrível é que não me lembro do 'por que' da briga. Parece que eu bloqueie da minha mente a causa.Só consegui guardar em minha memória as consequências daquela noite.

Sempre que meus pais brigavam, eu não conseguia fazer nada além de escutar o que diziam. O medo percorria minha alma como o sangue viaja pelas artérias. E, de novo, eu estava com os ouvidos naquelas palavras que foram esquecidas. Acho que a briga começou na sala, com algumas palavras ofensivas. Minha mãe se encaminhou para seu quarto fazendo de seus pés palavras de irritação. Segundos depois pude ouvir os mesmos tons de irritação vindo das passadas mais fortes e selvagens que pareciam um animal descontrolado indo em direção à sua presa, era meu pai. No momento em que pude ver sua figura passar em frente à porta do meu quarto, pude ver a fúria desfigurando seu rosto e consegui sentir o gosto amargo do ódio que ele exalava. Percebi, nesse momento, que nunca mais poderia esquecer-me desse rosto. A meu ver, aqueles olhos cor ocre estavam tingidos de vermelho-sangue. Em um segundo pude notar que o álcool, mais uma vez, tomava conta daquele ser que eu não reconhecia como pai.

Quando ele entrou no quarto de minha mãe, começaram os gritos dos dois e eu não consegui distinguir o certo do errado naquele meio confuso. Ele estava parado um pouco a frente da entrada do cômodo, enquanto minha mãe se encontrava sentada em sua cama e eu... Eu nem senti meu corpo se movendo em direção daquele caos. Via em minha mãe a rebeldia e a passionalidade travando uma guerra em seu ser. Ele gritava e ela também.

Percebi que meu irmão estava ao meu lado e seu rosto demonstrava a cópia do que eu sentia. Medo, horror, vergonha, fúria domada, revolta, dor, fraqueza. Percebi também a minha debilidade ao olhar para o grande homem que meu irmão se tornara e registrei em meu ser que eu nunca poderia proteger quem eu amo do jeito que os olhos dele queriam proteger. Percebi que meu corpo nunca poderia servir de escudo para quem merecesse a minha compaixão. O meu medo se transformou em ódio, mas não ódio daquele que fazia da minha casa um inferno. Tive ódio de mim mesma. Da minha incapacidade como mulher. Da minha fraqueza física. Da minha magreza excessiva. Esses momentos vieram em poucos segundos e essa rapidez embolou mais ainda minha cabeça. Eu só queria que tudo acabasse. Perguntava-me o ‘por que’ como o Papa reza para Deus.

Pensamentos nada castos vinham em minha mente já perturbada. Imaginava-me matando, trucidando, esquartejando. Meus olhos afogados em lágrimas viam o que não queria ver. Minha mente dizia uma saída, mas meu corpo estava pregado ao chão frio da minha covardia. Mais gritos e começaram as ameaças contra minha mãe. Ameaças físicas. Primeiro ele arremessou um pote de creme mais próximo a ele. Errou. O intuito era avisar. Não quis acertar em primeiro momento. Ele queria calar o que ela falava. A verdade que ela gritava. O aviso foi ignorado com mais gritos corajosos dela. E ele se virou furiosamente, assim, empurrando meu irmão e eu para que ele pudesse passar. Quando percebi o que ele planejara, meu cérebro não conseguiu mais entender a palavra 'lógica'.

Ele foi para sala, se inclinou em sua caixa de ferramentas e se pôs a procurar alguma coisa da qual não entendi até ele se levantar com o martelo em sua mão direita. Automaticamente, meu irmão foi para cima dele tentando defender minha mãe e eu. Mesmo meu irmão sendo muito mais jovem, meu pai tem seus músculos mais trabalhados que o de James. Era um empate. Não gosto de lembrar da raiva que via em ambos os rostos, mas garanto que se eu pudesse ver MEU rosto, veria semelhança no estado.

 Isso tudo aconteceu em poucos segundos e quando me vi, estava indo para cima daquele que fazia o problema. Mesmo com a fraqueza da minha carne, desferi o pouco da minha força para ajudar naquele embate violento. Os gritos de minha mãe ecoavam distantes para mim. Ela pedia para pararem. Pedia em nome de Deus. Mas, naquele momento eu podia até dar nome ao Diabo.

Não consigo lembrar-me como terminou esse episódio.  Acho que quis esquecer ou o excesso de informações daqueles momentos me sugaram as energias mentais.

31 de agosto de 2009

Quem sou eu? Será que as minhas palavras são feitas sob medida?

Posso atribuir vários adjetivos a mim mesma, tais como:

- Amontoado de átomos que formam essa carcaça fraca.

- Aglomeração de ações que não correspondem a muitos de seus ideais.

Por que o ‘eu lírico’ da literatura tem que ser mais compreensível do que o MEU ‘eu lírico’?
Deve ser por que não podemos ver, na íntegra, o lado das outras pessoas e, por isso, não temos a versão de todos na trama que se passa: A vida.

Eu sou um nome? Jessica. Nessas letras se formam um simples substantivo que, para mim, não tem nenhuma conexão com o que sinto.

Sou um número de identificação? Qual será o modelo do meu número de série? Não. Eu não acredito que os seres humanos são ditados para serem máquinas sem sentimentos. Acredito que somos a junção da nossa própria vivência. Eu sou uma junção que compõe a Jessica que escreve este texto.

Por que eu tenho que pagar pelos erros dos outros?

Por que eu nasci em uma época em que já está tudo pronto, à minha espera?

Eu ainda não fiz nada de honroso para a humanidade. Não fiz um livro, não plantei nenhuma árvore e muito menos deixei alguma prole.

Será que nunca passou pela sua mente?...

Qual o sentindo de vivermos sujeitos a erros milenares?

Algumas pessoas já me disseram que eu passo sentimentos de confusão em minhas palavras. Admito que sou confusa. Confusa comigo mesma. Confusa com o mundo que me é imposto no cotidiano. O “porquês” da vida me consomem muitas vezes.

Será que sou anormal?

Será que o leitor nunca pensou em algum dos sentimentos ou ideias que escrevi?

Ou será que eu estou sozinha nesse oceano de interrogações?