Aqui tem tudo aquilo que eu penso através dos seus olhos. Não pretendo dizer todas as palavras e, sim, todos os sentimentos. Leia com atenção, pois eu posso dizer o que você sente.
5 de julho de 2009
Ataque de Pânico - Desfecho (3)
Tinha consciência de tudo e ao mesmo tempo de nada. No resto da semana entrei em depressão esperando a consulta da psicóloga, que aconteceria na sexta feira daquela terrível semana. Para mim, os dias passaram lentantamente. Torturantemente lento. Eu tinha traçado vários planos, como: Abandonar o curso e não fazer a prova da Uerj (afinal, eu 'resolvi' ter vários problemas psicológicos um mês antes da prova). Tudo de negativo que poderia acontecer na minha vida, eu imaginei. Depressão é a pior coisa. Mesmo.
O nome da minha psicóloga é Márcia. Gostaria de parar um momento para falar sobre ela. MEOW ela tem 50 anos e tem rosto de 30! Ela deve ter descoberto alguma fonte da juventude e se afoga nela todo dia. E eu nem acredito que olhos azuis é um característica recessiva porque aqueles olhos são realmente dominantes! Toda semana que eu vou lá, a primeira coisa que eu penso é: "Acho que os olhos delas estão mais claros e acesos do que semana passada" É de lei. Sem comentários sobre a casa dela! É nessas horas que tenho vontade de me tornar um pivete e colocar aquela tevisão de 42" LCD no meu bolso e sair correndo. HUSAHUASHUASHUASHUASHU Brincadeira!
Ela é extremamente educada e receptiva. Logo me senti a vontade com ela. Primeiro ela me pediu para descrever o que acontecera comigo. Ela, pacientemente, me ouviu. E depois ela me esclareceu bastantes coisas. Descobri que eu tive, o que se chama, Transtorno de Ansiedade e que isso é uma 'doença' comum. Hoje, eu não considero uma doença e sim um estado mental que a pessoal está passando. A diferença é que, se não for tratado ou controlado, pode piorar ou se estender por muito tempo. Descobri, também, que esse Transtorno pode aparecer de várias formas e que varia de pessoa para pessoa.
Eu ainda estou em tratamento, mas já me considero, de veras, melhor. xD
Obrigada pela sua paciência em ler os meus textos enoooooooooooormes.
Voltem sempre.
4 de julho de 2009
Ataque de Pânico - Metro (2)
No outro dia, terça-feira, faltei o curso de novo e, ao acordar, me sentia estranha. Desanimada. Sem rumo. E, definitivamente, não queria sair de casa. Mas é incrível como tudo tem que dar errado comigo. Pois, naquele dia, a minha mãe cismou que eu tinha que ir com ela à casa da minha avó. Tentei demonstrar a ela o meu excelente estado para ir, porém ela pareceu ignorar. Levantei-me e, lentamente, comecei a me arrumar. Quando estávamos prestes a sair ela me comunicou que íamos de metro. Assenti com certa má vontade e fomos.
Antes de continuar a história gostaria de deixar claro que eu NUNCA gostei de lugares fechados, ainda mais cheios. Ou seja, para mim, metro é totalmente dispensável. Mas isso nunca fez com que eu deixasse de ir quando precisasse. Nunca tinha sido, até então, um empecilho para mim. Aliás metro não é a única coisa que me deixa desconfortável. Elevadores, lugares abertos, porém muito cheios, shows lotados etc. Me deixam desconfortável, entretanto, sempre lidei com esses lugares. É um tipo de claustrofobia controlada.
Voltando ao ponto principal, eu e minha mãe indo ao metro. Eu posso comparar o meu estado de espírito com o tempo que fazia naquele dia. Estava nublado e batia aqueles ventos que fazem você se arrepiar todo. Chegamos ao metro e a minha auto estima ficou deitada na minha cama, dormindo. Subimos à estação e andaaaaaaamos até quase o final para nos sentarmos e esperar os vagões chegarem. Esperamos naquela plataforma anormalmente fria. Eu estava entediada. Lembro-me que estava escutando a música Cassis no MP4 quando a lata de sardinha ambulante resolveu chegar me fazendo morrer de frio com o vento que ele trouxera consigo. Quando coloquei o pé naquele lugar, que me traz arrepios, comecei a suar frio, mas não deixei transparecer. Fiquei impaciente para sair logo dali. Era o que eu mais queria. Para o meu completo azar a gente teria que fazer a baldeação, ou seja, a minha dor iria continuar. E foi o que aconteceu. O pior é que o metro nem estava cheio.
Fomos em direção a segunda - e pior - fase do Apocalipse para a Jessica. Primeiro subimos aquelas escadas enooooooooooooooormes e quando chegamos lá em cima ainda tivemos que esperar o próximo vagão chegar. Repito, o metro não estava cheio, mas quando os vagões chegaram as pessoas se aglomeraram como se fossem hemácias aglutinadas. Quando eu vi aquelas pessoas ao meu redor que pareciam olhar, vidradas, para a pequena entrada que iria se fechar em poucos segundos. Segundos. Aconteceu tudo em poucos segundos. Eu dei um passo em direção ao vagão com a intenção de entrar. Há! (Como diz o Bruno) Só ficou na intenção. Parecia que o meu corpo congelara. Eu estava suando e só conseguia pensar "EU NÃO VOU ENTRAR AI! É MUITO APERTADO! NÃO! NÃO! NÃO!" Automaticamente recuei. Eu me senti um animal indefeso. Impossibilitado de fazer alguma coisa. Comecei a suar e a tremer. A minha visão ficou meio turva. Olhei para minha mãe e disse que não iria entrar lá. Pedi para irmos no próximo. Acho que eu estava com cara de assustada, pois a convenci rapidamente. Ela, serenamente, disse que podíamos ir no próximo e que não tinha problema. Resolvendo isso, ela me encaminhou em direção aos bancos da plataforma. Eu me sentei, mas sentia um arrepio extremamente incomodo que parecia subir e descer na minha coluna. Eu queria ir embora. Sabia que não devia ter saído da cama. Depois de algum tempo a estação deu o sinal que outro metro estaria chegando. Não foi nenhum sinal sonoro não. O que me fez pensar assim foram as pessoas que chegaram em peso na plataforma. Foi só olhar para eles que pude perceber o som dos trilhos. Nesse momento todos os meus sentidos estavam aguçados. Todos. Mas eu decidi enfrentar. Me levantei e me pus a esperar aquele monstro gelado abrir as suas portas. E ele, parecendo rir da minha fraqueza, fez o esperado. As pessoas, de novo, se aglutinaram para entrar naquele pequeno espaço. E eu, corajosamente, dei dois passos em direção ao vagão, mas nesse momento meu coração se acelerou, parecia que tinha alguma coisa entalada na minha garganta, me senti extremamente enjoada, a minha respiração começou a ficar pesada e difícil e ondas de calor pareciam passar por mim como se fosse vento. Tudo aconteceu em poucos segundos e intensamente. Eu só queria sair dali. Eu precisava sair dali. Eu virei para minha mãe e somente disse 'eu não quero entrar ai' e repeti essa frase como se fosse uma reza. Ela concordou e, automaticamente, me dirigi as escadas.
De todos, esse foi o pior momento, pois eu me senti a pessoa mais fraca da terra. Eu senti uma angústia e frustração que pareciam que me empurravam para um grande precipício. Esses sentimentos se traduziram em lágrimas. Lágrimas que eu tentava conter, mas elas me traiam e pareciam jorrar de meus olhos. Eu subi as escadas como se fosse um nada. O nada que não conseguia entrar em um metro. Me dei conta de várias coisas ao mesmo tempo. Eu estava tremendo e me sentia gelada por dentro e por fora. Me dei conta que eu poderia nunca mais entrar em um metro. Eu não sabia o que tinha acontecido. O porque de tudo.
Mas eu sabia que o meu problema era psicológico. E ele não iria me vencer.
1 de julho de 2009
Ataque de Pânico - Curso (1)
Duas semanas doente. A primeira: Fisicamente. A segunda: Psicologicamente.
Não sei bem o que eu tinha na primeira semana. Nos primeiros dias vomitei muito e nos resto da semana tive uma grande repulsa por comida. Essa falta de comida me deixou muito fraca, muito mesmo. Eu teria passado bem, claro, se eu não tivesse me culpado por estar faltando o curso. Só naqueles poucos dias que eu faltei, o pensamento de ‘Não passarei’ rondou a minha mente MILHÕES de vezes. Acho que quanto mais eu pensava isso mais me dava náuseas ao ver comida. Afinal, a pior pressão é que você faz em si mesmo.
Na quinta-feira dessa primeira semana eu decidi que já estava bem para ir pro curso. A minha teimosia foi tanta que eu mesma quis me enganar. Eu sabia que não estava bem, sabia que deveria ficar em casa. Mas eu só pensava que estava perdendo muitas matérias e que isso iria me atrasar. Atire a primeira pedra quem nunca enlouqueceu por causa do vestibular! Parece que é a sua vida que está em jogo! Que todos sabem mais que você. Você aponta para si mesmo que você é o pior de todos. A ordem é se matar de estudar.
E eu com essa ‘sabedoria’ toda fui para o curso doente. A boa notícia é que eu, com toda a certeza, paguei por isso. Para você, leitor, ter uma noção, eu cheguei às 7 horas e não levantei para NADA! Eu simplesmente não tinha ânimo para levantar. Eu me sentia fraca. O pior é que eu estava feliz por estar no curso. Estava feliz por estar naquela sala, competindo. Por que parece que vestibular é uma competição sem limites. Mesmo que você não verbalize isso dá para sentir. Enfim, quando foi por volta das 11:30 e a professora começou a explicar eu me senti estranha. Tudo começou a girar. Parecia que eu ia desmaiar ou vomitar ali mesmo. Ao mesmo tempo eu comecei a sentir fortes ondas de calor. Abaixei a cabeça, respirei fundo e tentei me acalmar. Foi quando eu levantei a cabeça que tudo girou de verdade. Eu tinha que sair dali. Eu necessitava sair dali. Nesse momento o John ( o menino que estava sentado ao meu lado) perguntou se eu estava bem. Automaticamente respondi que não. Ele encostou em mim e falou que eu estava gelada. Como se eu estava pegando fogo?! Um garoto chamou a atenção dele e ele virou para olhá-lo e eu, bruscamente, o puxei de volta e disse que precisava sair dali se não eu poderia desmaiar. Ele perguntou se eu queria que ele ajudasse e eu, obviamente, concordei. Pedi, ainda, para que ele me segurasse. Tudo estava girando muito intensamente. Quando eu levantei, percebi que as minhas pernas estavam tremendo e, ao começar a andar, senti a sala se fechando sobre mim. Apressei os meus passos. Parecia que eu estava ficando sufocada. Precisava sair dali o mais rápido possível. A distância da onde eu sento para a porta é de uns dez passos. Mais pareceu que levou horas até eu conseguir atravessar esse caminho. Era angustiante sentir a sala ficar pequena.
Mas finalmente consegui sair. Já comecei a me sentir um pouco melhor nesse momento. Foi uma sensação libertadora. Entretanto eu ainda estava tremendo e com muito calor. Se não fosse trágico eu riria da cara de espanto do John ( ele é tão fofoooooo (L) ). Fui ao banheiro molhar o rosto e pedi ao John me arrumar água e sal (pensei que a minha pressão podia ter baixado ). Ele me convenceu a ir à Clarice (ela trabalha na secretária do curso) que poderia me ajudar. Eu fui e ela me fez comer um misto quente e ai sim eu comecei a melhorar. A gente começou a conversar e eu esqueci um pouco do que aconteceu.
Continua....
Rótulos
Desde que o meu melhor amigo me contou ser homossexual, tenho tentado 'entender' muitas coisas dais quais nunca quis pensar. Naquela época eu era um 'poço' de preconceitos - muitos deles eram apenas palavras repetidas e sem fundamentos. Entretanto, quando ele me contou, não senti nenhum preconceito. Não havia nele aquela doença que, até então, eu achava que os homossexuais tinham. Ele era legal. Gostava de conversar com ele. Depois da 'revelação' veio a consequência. Eu queria saber tudo. Tudo que eu não conhecia. Eu estava fascinada. Queria saber como ele havia se tornado homossexual. Irônico? Também admito. Mas eu não me importava. Hoje vejo que foi ótimo ele ter se tornado meu amigo. Afinal, ele me salvou daquele mundo sem graça no qual eu vivia. ( Te amo Fábio! =* )
Mas não era sobre a minha amizade colorida que eu queria falar.
Eu quero falar sobre os rótulos que nós mesmos fazemos.
Mesmo na minha pequena experiência neste mundo em que vivemos pude perceber que, incansavelmente, fugimos dos rótulos. Das coisas que são comuns. "Quanto mais eu puder mostrar que sou diferente, melhor." Talvez isso seja feito para que sejamos notados de alguma forma. Mas já parou pra pensar que saímos de um rótulo para cair, justamente, em outro?
Como exemplo, vou usar a sexualidade. Ser homossexual. No dicionário: " Que ou quem sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo ou tem relações sexuais ou afetivas com pessoas do mesmo sexo." É impressão minha ou isso também não virou um rótulo? Você chega para um homem homossexual e pergunta: "Você ficaria com alguma garota?" E adivinha qual vai ser a resposta? "Garotas? Claro que não" Alguns ainda vão dizer: "Eca!!"
Se você pensar bem e trocar apenas uma palavra... Não seria a resposta de um heterossexual?
Porque a eterna rejeição? É como se fosse impossível! Esse tipo de opinião não tem fundamentos!
Em minha opinião, o ser humano é passível a amar e/ou ter atração sexual por ambos os sexos. É só uma questão de lógica e mente aberta. Só. Não se precisa de grandes conhecimentos pra chegar a essa conclusão. Basta parar de deixar os vícios naturais da sociedade te influenciarem.
Eu acho que TODOS deveríamos ser Bissexuais. Eu sei que também acaba sendo um rótulo. Mas, a meu ver, é o menos pior dos três citados. Uma vez que você não se prende as convenções que parecem ser obrigatórias. Você estará aberto para 'n' possibilidades de amor e compreensão.
Será que eu consegui me expressar? Para mim parece tão fácil e tão complexo!

30 de junho de 2009
28 de junho de 2009
Como foi a minha primeira prova de vestibular: UERJ ( PARTE 1 )
Demorei a dormir na véspera da prova. Rezava para que os meus amigos conseguissem bons conceitos. Repetia os nomes em minha cabeça e mentalizava a vitória de todos. Imaginava os sorrisos deles junto ao meu. A última coisa que lembro antes de apagar foi vários rostos que merecem estar na faculdade no ano que vem. Não me lembro dos meus sonhos naquela noite, entretanto, certamente foram ansiosos, uma vez que acordei várias vezes durante a noite. Ao levantar senti uma enorme onda de euforia misturada com nervosismo e emoção. Como na noite anterior, procurei mentalizar a calma e a vitória de todos que me cercam e inclusive a minha vitória. A primeira coisa que fiz foi ligar pra Marcelle para acordá-la. Mesmo que naquele “Bom dia” meio sonolento tentei expressar um pouco do meu bem-estar. Me arrumei com calma e não dispensei o café da manhã reforçado. A minha mãe demorou um pouco mais para terminar de se arrumar e decidi descer para esperar a Marcelle chegar com o Fábio que, mesmo sem fazer a prova, foi para dar uma força pra gente. A Marcelle chegou logo e a minha mãe cismou que a gente devia ir de táxi. Fiquei um pouco irritada de começo por que não gosto de gastar mó dinheiro com táxi se a gente podia ir de ônibus, mas tentei me colocar no lugar da minha mãe, ela tem ficado mais nervosa com o vestibular do eu. Pegamos o táxi e estávamos a caminho daquele momento tão esperado. Dentro do carro, senti uma boa vibração vinda da Marcelle, apesar de parecer ansiosa havia um ‘quê’ de aventura nela que parecia espelhar o que eu estava sentindo. Me senti bem com isso. Estava feliz. Isso que importava. A felicidade me deu uma certa calma.
Achei tudo muito cômico quando chegamos lá. Eu consegui distinguir vários rostos na multidão, mesmo aqueles que não tinham nome que, por ventura, passaram na minha vida pouco percebidos. Encontrei o pessoal do Bahiense em peso lá. Não me assustei com a multidão. Era previsível. Mas, por um lado eu me senti mal pela minha mãe. Eu estava plenamente consciente da preocupação dela. Afinal, era a primeira vez que eu estava no meio de uma multidão depois do dia do meu ataque de pânico no metro. Procurei passar a minha confiança pra ela.. só não sei se ela percebeu. Ela ficou ainda mais apreensiva quando os portões abriam. Eu estava tranquila. Queria mesmo era entrar logo. Eu e a Marcelle entramos depois de uns 10 minutos que os portões se abriram, ainda assim a minha mãe queria que esperássemos mais. Tentei mais ainda passar a minha tranquilidade para ela e prometi dar um ‘tchauzinho’ antes de entrar. Foi o que fizemos. Foi engraçado que até o pessoal do Equipe de Apoio (curso da Marcelle) acenou pra gente. Me sentia feliz. Muito feliz.
A pantera dentro de mim rugia. Queria mais. E ela teve. Quando conseguimos chegar ao pátio daquela faculdade fiquei fascinada. Era enorme. Vários andares e entradas para todos os lados. Mas tinha um problema. Para onde nós teríamos que ir para chegar em nossas salas? Tinha tanta gente andando que ficamos desnorteadas. Eu estava com medo de perder os meus documentos ( que estavam na minha mão). A Marcelle estava mais preocupada em falar com o muralha-em-pessoa que trabalhava lá. O cara era assustador! Devia ter uns 2 metros de altura e largura. E a Marcelle ainda teve coragem de ir lá falar com ele! Depois ela ainda ME CHAMA de peito de ferro! Mas enfim, depois que conseguimos achar o corredor certo pra subir, seguimos o nosso comigo e deixamos o gorila pra trás. Subimos, subimos, subimos, subimos, subimos... Parecia que não ia chegar nunca! Ainda bem que chegamos cedo. Fiquei imaginando como as pessoas que chegarem em cima da hora iriam correr. Depois de algum tempo cheguei ao meu andar e me despedi da Marcelle ( ela iria para o próximo ). Fui em direção a minha sala sendo acompanhada pela Jéssica (Ela faz Bahiense comigo - ela estava desde a entrada com a gente mas não mencionei porque ela não faz parte do elenco principal =x) conseguimos achar a nossa sala depois de mais alguma tempo (Até ai eu já estava achando que estava numa Hogwarts da vida /Louca ). Me despedi da Jéssica também, pois ela ia para próxima sala. Quando entrei na minha sala a fiscal pediu pra eu colocar o meu celular numa espécie de sacolinha que seria lacrada. Seria menos humilhante se eu não tivesse ‘perdido’ o meu celular na mochila. Tive que revirar tudo. Todo mundo olhou pra mim e comecei a me achar uma idiota e a ficar com vergonha. Mas fiquei muito feliz quando consegui achar o maldito telefone e o coloquei na sacola com um ar de triunfo no rosto ( 666 ). Depois assinei uma lista lá e, finalmente, fui me sentar. Logo percebi que tinha uma garota lá do meu curso na minha sala. Eu sempre a achei estranha. Ela sempre some no intervalo e volta com o cabelo SUPER molhado, mas com a mesma roupa. Estranha. Enfim, me sentei e comecei a marcar território. Olhei pra tudo quanto é canto e para pessoas. Pessoas? Isso foi muito generalizado! Só tinha garota na minha sala. E SÓ TINHA JESSICA! A fiscal ficava que nem retardada rindo disso. Odiei, de novo, aquela maldita música que fez uma legião de mães mudarem o nome de suas filhas (inclusive a minha). Teve uma hora que eu tava distraída com o nada e alguém desconhecido chamou ‘Jessica’, TODAS olharam. Fiquei muito envergonhada.
Continua....
26 de junho de 2009

Hoje foi o tipo de dia ‘Oi eu não quero falar com ninguém’ para mim, no curso – apesar que isso tem acontecido com frequência depois dos meus surtos de ansiedade. Tudo começou quando peguei um livro pra ler ( tem uma garota lá que parece que leva O MUNDO literário na mochila e ela me emprestou um daqueles livros). De começo parecia um daqueles livros com a capa e título legais, mas uma bosta de história. Porém, a minha curiosidade e a completa falta de vontade de prestar atenção nas aulas me fizeram escrava daquele pequeno livro com capa de caveira. Em poucos minutos eu já estava sem fôlego por causa da história e olha que isso aconteceu com poucos livros que li na minha vida – e, particularmente, não foram poucos os livros que li. Era intrigante e doce na escrita. Uma leitura fácil, porém um contexto de arrepiar os mais corajosos. Deviam ser umas 8:30 quando comecei a ler o livro. Leitura que se estendeu até umas 12:00, com algumas pausas por causa da bagunça na sala de aula – ainda jogo uma bomba naqueles idiotas estúpidos. O que importa é que eu me transportei para aquela história. Era como se tudo aquilo estivesse acontecendo naquele momento e os meus ouvidos não conseguiam ouvir a sala barulhenta nem as reclamações que giravam no mundo real daquela sala repleta de gente. A realidade parecia distante e sem graça quando me deparei com a imensidão do mistério daquele livrinho. Eu ouvia o que o jovem Ricardo ouvia. Sentia o que ele sentia. Por vezes tive respirar fundo para não chorar ou me segurar para não gritar de medo em algumas cenas. Foi uma ligação forte que eu senti com a história! Depois que eu terminei de ler fiquei impressionadíssima e não parei de pensar na história o resto do dia. Estou até agora abismada.
Qualquer dia
Um dia,
Como qualquer outro dia.
Decidi vagar na imensidão da internet.
Naquela época
Eu só queria ter alguma coisa interessante
Para satisfazer a minha curiosidade infantil
Entretanto, tudo me parecia, o que hoje chamo, redundante
Nas fotos
Rostos comuns e sem graça
Nos gostos
Uma junção de ritmo e jeitos repetitivos
Que a massa de pessoas apreciava
Naquele dia decidi encontrar o meu mundo
Um mundo que eu achasse um enigma
Que me ensinasse coisas novas
Coisas.. Interessantes
Mesmo que não se tenha passado tantos anos desde aquele dia
Hoje sei que o mundo que eu descobri
Me fez, em vários aspectos, uma pessoas melhor
O que tem nesse mundo enigma que eu encontrei?
Não importa para o leitor...
O que importa
É que todos tem que procurar o seu enigma
O seu mundo.
Por que ele
Te trará o sentimento de familiaridade
E alegria.
10 de dezembro de 2008
Bola de neve
“É uma noite fria no quarto do menino de cabelos negros, como o obscuro céu que assopra um vento gélido pela janela aberta ao lado da cama do garoto. Com os olhos fechados, Alex, viajava acordado no seu próprio mundo de brincadeiras e alegrias, porém, uma sucessão de barulhos de coisas caindo no chão fez com que a criança se levantasse bruscamente com o susto que levara. Com as mãos tremulas, Alex recostou-se ao batente da porta entre aberta, logo, seguindo o rastro de sangue que levava à sala do pequeno apartamento... “Na mesma intensidade do susto do menino, Alex, que agora tem aparência de homem,porém, ainda sustenta a enigmática cor do céu em seus cabelos , levanta assustado e ofegante do sonho que acabara de ter. Sonho que, na verdade, é uma dolorida memória de sua infância. Percebeu, então, o tremor que a lembrança causou em seu corpo e sentiu uma imensa vontade beber alguma bebida forte e quente. Ao tentar levantar-se sentiu o peso de um corpo feminino sobre suas costas, era sua esposa. Indiferente, Alex continuou o que planejara , indo até a sala e servindo-se da primeira bebida alcoólica que avistara e, com um só gole, sentiu o líquido descer e a sensação de queimação traz um pequeno sorriso em seu rosto bem desenhado, logo, o movimento se repetiu uma, duas, três, quatro vezes. Porém, o momento de alegria passou no segundo em que ouviu a voz esganiçada da mulher que dividia a cama, vinha ela a toda fúria reprovando o marido por beber tanto. As paredes viram o momento que o copo foi jogado intencionalmente contra a mulher e, também, uma garotinha, de cabelos negros como os de Alex, via a cena da porta entre aberta de seu quarto e, sem saber, estava assistindo uma réplica do sonho do pai.
7 de outubro de 2008
Viva. Sempre.

O ato de correr
O ato de conversar
Alguns acham isso comum e insignificante
Porém, para certas pessoas,
essas podem ser as coisas mais preciosas e belas que alguém pode fazer
Aqueles que vêem a vida em suas camas
Aqueles que vêem a passagem das estações em cadeiras
E
Aqueles que tem tudo isso e somente olham para os próprios pés
Tem gente que o falar é difícil
Tem gente que possui somente o ato de escrever
Enquanto alguns sonham com um carro melhor,
E
Sentir o vento da saúde
Tem gente que chora ao lembrar-se do passado e deseja que o próspero amanhã chegue logo
Tem gente que chora ao tentar imaginar o futuro e tenta agarrar-se nas lembranças das
pernas saudáveis
e assim lutam para o tempo voltar
Mas e você?
