10 de julho de 2009

"-Você tem medo da loucura?" "-Não. Eu tenho medo da ignorância."

Na minha última consulta com a Márcia, minha psicóloga, refleti várias e várias vezes sobre uma de nossas conversas. Em certo momento em que eu estava falando sobre a minha família, ela me perguntou: "Em muitos momentos que você fala, e repete bastante, parece que você tem medo da loucura. Medo de ficar louca. Você tem medo da loucura?" Esse comentário me surpreendeu bastante. Eu não esperava por isso. Não mesmo. Me permiti alguns momentos para refletir e respondi uma coisa em que eu, até então, nunca tinha parado para pensar e disse: "Não. Eu tenho medo da ignorância. Tenho medo de ser uma pessoa de mente fechada." Acho que em toda a minha vida eu não disse uma verdade tão pura e isso me levou a várias linhas de pensamentos.

Eu sempre gostei de estudar. Sempre. Mas não do estudo em si. Não de ficar sentada lendo alguma coisa ou estar em uma sala de aula escutando algum professor falar e falar. Eu sempre gostei do aprendizado. Descobrir alguma coisa na qual eu nunca ouvira falar. De me surpreender com alguma coisa que, para mim, era inimaginável.

Sempre gostei de ouvir a opinião dos outros sobre tudo. Chega a ser uma curiosidade infantil. Curiosidade que prende totalmente a atenção. Sempre gostei de opinar e debater sobre alguma coisa que eu gostasse. E tenho tentando me doutrinar em aceitar as opiniões divergentes à minha própria. Tenho tentado compreender cada ponto de vista e aceitá-los da melhor forma possível.

Coisas novas me fazem tremer de empolgação. A vontade de gritar é enorme. O mesmo acontece ao conhecer pessoas novas ou entender amigos velhos. Considero cada pessoa um enigma fascinante. Só por ter noção da grandeza do ser humanos. O quão nós somos complexos dentro loucura que é a vida.

O meu divertimento é o saber.

Saber sobre os ideais revolucionários.

Saber sobre a filosofia de cada religião e aprender com todas.

Saber coisas intrigantes das outras culturas.

Saber o que eu sou, o que posso ser, os meus próprios medos e dificuldades.

Saber tudo.

Saber sobre o nada.

Eu tenho medo de me tornar o que se chama 'cabeça dura'. Aquelas pessoas que são irredutíveis em suas opiniões e atos.

Tenho medo de me tornar menor do que posso ser.

Tenho medo de fechar a porta do saber, da aceitação e da compreensão.

9 de julho de 2009

Era uma vez Marcelle...

Prometi para ela que faria algum post sobre os seus surtos, então...


Quero começar contando sobre o dia em que conheci a Marcelle. Foi no primeiro dia de aula na minha velha escola em que nos conhecemos e nos tornamos amigas. Nesse dia eu pisei no colégio com vontade de voltar pra casa por causa do Fábio. (eu estava me sentindo excluída porque eu teria que me sentar sozinha, já que ele sentaria com o Guilherme de agora em diante) Quando entramos na sala da primeira aula, ele foi sentar-se nas carteiras em frente à professora junto com o Guilherme e eu, puta da vida, fui me sentar duas fileiras atrás dele já que tinha uma estranha sentada sozinha atrás deles. Logo sentou uma outra estranha ao meu lado, que depois descobri se chamar Fernanda, e não lembro como nós começamos a conversar, mas a garota estava escrevendo o seu e-mail no meu caderno para eu adicioná-la no orkut quando ela me perguntou se no yahoo tinha que colocar o "br" no final e eu, noob que sou, não sabia responder. Quando, do além, a estranha, sentada sozinha a nossa frente, virou pra trás e, simplesmente, respondeu a pergunta. Achei ela meio louca e intrometida. ( E isso se confirmou quando a conheci de verdade ^^) Mas não fiquei irritada. Ela falou tão naturalmente que parecia que ela já estava na conversa. Depois disso eu realmente não lembro o que nós conversamos, mas nesses primeiros tempos de aula eu não tinha dado importância para essa garota. Ela tinha uns papinhos estranhos.

Mas tudo mudou no terceiro e quarto tempos de aula! (A professora de literatura é um saco com pentelho encravado e inflamado e não me importei em conversar na aula dela) A estranha sentou na minha frente de novo, porém agora quem sentou ao meu lado foi a Georgeane (ela foi da minha sala no segundo ano também) e começamos a conversar sobre livros, principalmente um certo livro que eu emprestara para ela e que ela demorou séééééculos pra ler. Não sei ao certo como começou esse assunto, mas a Georgeane já estava me irritando com os seus argumentos infundados. Ela falava que livros de vampiros são inadequados para crianças e olha que ela só tinha lido UM livro de vampiros e foi o que eu emprestei pra ela. Nota: Livros de vampiros não são pornográficos ( dependendo, claro!) ou coisa assim, a diferença é que a linguagem é mais sensual devido aos próprios personagens. Ela é que adora generalizar. Mas enfim, quando o assunto foi para 'Crepúsculo' a estranha novamente se manifestou e, detalhe, foi por causa de mais uma das antices da Georgeane, já que ela cismara que o filme Lua Nova já ia lançar. Há! O Crepúsculo mal tinha lançado! OMG! Eu falava, mas ela parecia ignorar tudo o que eu dizia! Até que a estranha deu sinal de vida. Ela se virou e disse que não podia ser o Lua Nova por que o Crepúsculo tinha lançado em Novembro e não teria dado tempo para filmarem. Só nesse momento a Georgeane se deu conta que estava falando caganeira e foi logo dizendo que devia ser o trailer de outro filme de vampiros que havia visto. (/HeadShot na Gerogeane)

Descobri que ela estava lendo o Lua Nova e eu comecei a surtar por isso. Nota²: Na época do lançamento do Crepúsculo eu não estava nem ai para esse filme. Até que, um dia, eu estava na casa do meu melhor amigo Felipe Zero e ele estava fazendo o 'rango' pra gente e eu estava no maior tédio. É nessas horas que o meu instinto fofoqueira desperta. Eu comecei a futucar as coisas no quarto dele e encontrei o livro 'Crepúsculo' jogado em um canto. A capa me chamou atenção e reconheci o título por causa do trailer na Tv. Eu não sabia direito sobre o que era a história, mas como eu estava sem nada para fazer comecei a ler o livro. Moral da história: Contrabandiei o livro dele para minha casa e terminei de lê-lo em 3 dias. Persuadi a minha mãe para comprar o Lua Nova e terminei de lê-lo, novamente, em 3 dias. Como os outros não tinham sido lançados no Brasil eu tive que recorrer para a Internet. Em duas semanas eu terminei de ler os dois livros restantes. Estes eu demorei mais porque eu tinha que ler no computador.(/Nota²) Sempre quando eu conheço alguma coisa nova eu SURTO, então eu tentei fazer o Fábio surtar comigo por que eu não tinha ninguém para conversar sobre o livro, mas ele nunca me escuta quando eu digo que alguma coisa é boa ou legal. (¬¬ Idiota) Então a Marcelle foi a primeira pessoal na qual eu surtei por causa de Crepúsculo. Foi por isso que nos tornamos amigas. Depois eu ainda descobri que ela mora perto de mim! Fiquei muito feliz. Maior coincidência, ?Nós passamos o resto da aula surtando por causa do livro.

Quando as aulas acabaram e saímos da escola teve um fato beeeem marcante. Na esquina em que nós viraríamos para ir em direção onde moramos tinha alguns elementos muuuuuuuuuito suspeitos parados e virados em nossa direção. Acho que eram uns três, não lembro direito, mas sei que entramos de novo no colégio a fim de esperá-los irem embora. Coitadinha da Marcelle, primeiro dia de aula e acontecia aquilo. Ela estava com muito medo. Eu acho que ela atrai essas coisas, pois eu estudo três anos no mesmo colégio e NUNCA tinha acontecido nada parecido. Ficamos algum tempo esperando-os resolverem irem assaltar outras pessoas e eu já estava ficando impaciente com a demora. No momento em que ele viraram a esquina eu saí do nosso 'esconderijo'. Ela me puxou com força pra eu voltar. Não entendi a reação dela e somente disse 'Eles já foram' e ela estava quase chorando dizendo para esperarmos mais. Depois eu soube que, naquele momento, eu fui denominada de PEITO-DE-FERRO por isso. Eu sei que eu sou meio frígida, mas não tenho tal poder, viu Celle? Esperei mais um pouquinho e, com ajuda do Fábio, carregamos ela em direção da mesma esquina dos pseudos-marginais. Foi engraçado ver a cara de choro dela. Foi realmente engraçado. Celle bundona!

Ela é uma pessoa realmente interessante. Inteligente na mesma medida que é preguiçosa. Insanidade e responsabilidade estão competindo na vida dela. A Marcelle tem o DOM de escutar a conversa alheia. É engraçado que ela está olhando para você, mas está concentrada em alguma assunto do outro lado da sala. HUASHUSAUHASHUASUHASHU Nós surtamos muito juntas. Seja imaginando a gente ficando com seres alienígenas que não sabem fazer uma ligação dupla e tem as pernas arcadas ou simplesmente por causa de uma lagartixa.

Faz, apenas, 5 meses que a conheço, mas parece que fazem séculos de amizade! Tomara que continue assim para sempre.

Lovo-te Celle. xD

5 de julho de 2009

Rótulos - Evoluções causam problemas?

Já perceberam que, quando se trata de música, muitas pessoas tendem, até desesperadamente, proteger a sua banda (Estou somente usando um exemplo. Podem pensar em qualquer profissional que lide com a fama) preferida de virar modinha? Parece que com a fama, virá, automaticamente, a degeneração eminente da banda. É até irônico, uma vez que o desejo da banda é ficar o mais famoso possível. Alguém sentiu um gosto de contradição de pensamento, ou só eu senti?!

Eu discordo. Se a banda tiver realmente qualidadade, não vai fazer diferença se as suas músicas estão tocando mais na rádio. Pelo contrário. A banda terá que evoluir com a fama, criar estilos e performaces diferentes. Caso contrário, a banda, poderá cair em esquecimento. Ou não, ? Já que o "" Roberto Carlos anda cantando as mesmas músicas por alguns 20 ou 30 anos (Não que sejam músicas ruins, mas um repertório novo faz bem ao fígado). Quem sabe alguém também acerta.
Também tem que pensar que, com a fama, os músicos vão poder se dedicar muito mais em melhorar os próprios conhecimentos musicais (Bom, essa é a ideia, ?). Vão ter mais investimentos para a melhoria.

Outra coisa que me irrita profundamente é quando o músico fica famoso e se acha o King da cocada Black. Arg! Que vontade de jogar um limão cortado bem nos 'zóio' dessas pessoas. Eu nem queria falar, mas é minha obrigação citar exemplos como o da cantora e compositora Pitty. Eu gosto das músicas dela. As letras são de ótimas qualidade. As letras. Porque a humildade da mulher-tatuagem já foi pro espaço.
Já faz algum tempo que eu fui no show dela em uma Lona Cultural perto da minha casa. Foram os R$25 mais mal investidos da minha vida. Ainda bem que eu paguei meia! A vaca fez a banda de abertura cantar 'troçentas' lástimas. E quando resolveu começar o show mais parecia que o público tinha alguma doença contagiosa. Ela parecia ter nojo de todo mundo ali. Não encostava em ninguém. E a interação com a plateia? Há! Ela esqueceu no vaso da casa dela, boiando. Depois de 1 hora de show ela se deu por satisfeita e foi embora. Vaca!

Ah! Eu nem sei mais o que eu estava defendendo! ¬¬

Intertextualidade - Vinícius Santos

Você já leu um livro em que você conhecia, mesmo que superficialmente, o autor?
Pois é, eu li!

Como a menina roubadora de livros, eu tenho aquela vontade incessante de ler todos os livros que os meus olhos possam capturar. Eu sei que é meio clichê, mas eu sou aquela garota nerd que não sabe nenhum esporte, que tropeça até em si mesmo, usa óculos e é tímida. E aquele livro com capa estranha que, para mim, sempre esteve intocado na secretaria do curso me chamou atenção desde a primeira vez que o vi. Eu não comprei o livro mais cedo por dois motivos: Primeiro que eu não sabia se ele estava lá só para enfeitar ( Obs: Não tinha nenhum tipo de preço a vista ). Segundo que era difícil eu estar com dinheiro.

Então, tchan tchan tchan tchaaaaaaaaannn, eu comprei! De cara eu achei a capa interessante, entretanto, podiam ter pensado em alguma garota mais bonitinha (parece que a menina acabou de sair de algum filme de terror japonês - os filmes de lá, realmente, me dão medo ._. ). Mas eu gostei da fonte do título. Combinou com a garota assustadora e o estilo da foto - parece aquelas fotos antigas em preto-e-branco. O título é Verossímil, o que me chamou atenção também, pois me lembrou de Luís Fernando Veríssimo (adoro ele!). E aproveitando desta correlação, quando assisto a aula do Vinícius, eu SEMPRE me lembro de algum texto ou crônica do Veríssimo. Os dois me fazem refletir sobre alguma coisa importante e, muitas vezes, com várias risadas.

O livro é composto de uma parte de poemas e a outra de contos e crônicas. Eu gostei dos poemas dele. Cada um com sua particularidade. Interessantes. But, como eu sou uma garota meio frígida, não tenho muita paciência para ler poemas. Eu tenho que estar inspirada. Mas não deixam de ser bons. =D

Mas eu queria dedicar esse post aos contos dele! Esses sim me deixaram O_O. É uma leitura doce e fácil, mas que tem um contexto por trás grandiosamente complexo de se entender. Muitas histórias falam sobre a convivência com o seu amor, a dificuldade de amar e o sonho a pessoa perfeita. Cada conto tem um assunto específico, mas todos tem uma relação intangível que os tornam uma coisa só.

Eu acho que o Vinícius incorporou a frase 'a minha vida é um livro aberto'. Uma vez que muitos daqueles contos falam sobre a vida particular e profissional dele. Histórias encantadoras que me surpreendiam a cada linha.


Para mim é uma alegria imensa ser aluna dele e poder ter lido o seu livro.

Ataque de Pânico - Desfecho (3)

Durante o resto do caminho - de ônibus - para casa da minha avó, a minha cabeça parecia que ia explodir de tantos pensamentos. Mas uma coisa me parecia clara: Eu devia consultar um psicólogo. Eu percebi que aquela situação não estava ao meu controle e que eu precisa resgatá-lo de alguma forma. Me sentia mal por causa da minha mãe. Ela parecia estar mais preocupada com tudo o que acontecera do que eu mesma. A dor dela era a angústia. Angústia de não saber o que se passava em minha mente. Angústia por não conseguir me ajudar. Eu entendo que, para ela, foi difícil assistir tudo à margem do que eu sentia. Peço desculpas a minha mãe por causar tantos problemas. (Sorry Mamy! Ja t'aime, Aishiteiru, I love you, Eu te amo! xD).

Tinha consciência de tudo e ao mesmo tempo de nada. No resto da semana entrei em depressão esperando a consulta da psicóloga, que aconteceria na sexta feira daquela terrível semana. Para mim, os dias passaram lentantamente. Torturantemente lento. Eu tinha traçado vários planos, como: Abandonar o curso e não fazer a prova da Uerj (afinal, eu 'resolvi' ter vários problemas psicológicos um mês antes da prova). Tudo de negativo que poderia acontecer na minha vida, eu imaginei. Depressão é a pior coisa. Mesmo.

O nome da minha psicóloga é Márcia. Gostaria de parar um momento para falar sobre ela. MEOW ela tem 50 anos e tem rosto de 30! Ela deve ter descoberto alguma fonte da juventude e se afoga nela todo dia. E eu nem acredito que olhos azuis é um característica recessiva porque aqueles olhos são realmente dominantes! Toda semana que eu vou lá, a primeira coisa que eu penso é: "Acho que os olhos delas estão mais claros e acesos do que semana passada" É de lei. Sem comentários sobre a casa dela! É nessas horas que tenho vontade de me tornar um pivete e colocar aquela tevisão de 42" LCD no meu bolso e sair correndo. HUSAHUASHUASHUASHUASHU Brincadeira!
Ela é extremamente educada e receptiva. Logo me senti a vontade com ela. Primeiro ela me pediu para descrever o que acontecera comigo. Ela, pacientemente, me ouviu. E depois ela me esclareceu bastantes coisas. Descobri que eu tive, o que se chama, Transtorno de Ansiedade e que isso é uma 'doença' comum. Hoje, eu não considero uma doença e sim um estado mental que a pessoal está passando. A diferença é que, se não for tratado ou controlado, pode piorar ou se estender por muito tempo. Descobri, também, que esse Transtorno pode aparecer de várias formas e que varia de pessoa para pessoa.

Eu ainda estou em tratamento, mas já me considero, de veras, melhor. xD

Obrigada pela sua paciência em ler os meus textos enoooooooooooormes.

Voltem sempre.

4 de julho de 2009

Ataque de Pânico - Metro (2)

Depois da quinta feira em que passei mal no curso faltei as aulas de sexta e de sábado. No domingo já me sentia melhor. Já comia sem fazer cara feia. Logo quis voltar a minha rotina de pré-vestibulanda, ou seja, ir para o curso. Segunda me levantei disposta - dessa vez de verdade. Me senti bem - pelo menos até chegar a sala de aula. Eu não estava me sentindo mal fisicamente ao prestar atenção nos professores. O sentimento era diferente. Era como se eu não pertencesse aquele lugar. Como se eu fosse um estranho naquele mundo de paredes azuis. Uma certa angústia me incomodava constantemente. Sem motivos, comecei a analisar as pessoas que eu conhecia e até as que nunca troquei uma palavra. Uma a uma. Eu analisava. Repassava momentos em que eu as observei ou conversei. Era como se eu estivesse selecionando cada indivíduo daquele lugar. Nem os professores escaparam da minha mente sinuosa. Meus pensamentos estavam a mil. Lembranças iam e voltavam. Coisas positivas e negativas iam e vinham formando opiniões. Eu estava confusa. Aqueles sentimentos me eram intrigantes. Era como se, a cada pessoa daquela sala, eu atribuía uma cor. E cada cor tinha uma legenda. Fitas coloridas rodeavam cada pessoa. E cada pessoa significava alguma coisa. Sem desconsiderar a grandeza de cada uma delas. Não me entendam mal, por favor. Em nenhum momento quis subjugar aquelas pessoas. Eu só estava comparando as verdades deles com a minha verdade. Não se preocupe. Nem eu estou me entendendo.Esse momento de auto reflexão foi tão intensa que ignorei o mal estar que sentia. Quando dei por mim, comecei a sentir leves tonturas (nada que chegasse aos pés da semana anterior) e, automaticamente, saí da sala. Fiquei um bom tempo lá fora sem fazer nada, esperando a aula terminar. Ao falar com a minha mãe sobre o que aconteceu, ao chegar em casa, resolvemos consultar um médico. Estava decidido.

No outro dia, terça-feira, faltei o curso de novo e, ao acordar, me sentia estranha. Desanimada. Sem rumo. E, definitivamente, não queria sair de casa. Mas é incrível como tudo tem que dar errado comigo. Pois, naquele dia, a minha mãe cismou que eu tinha que ir com ela à casa da minha avó. Tentei demonstrar a ela o meu excelente estado para ir, porém ela pareceu ignorar. Levantei-me e, lentamente, comecei a me arrumar. Quando estávamos prestes a sair ela me comunicou que íamos de metro. Assenti com certa má vontade e fomos.

Antes de continuar a história gostaria de deixar claro que eu NUNCA gostei de lugares fechados, ainda mais cheios. Ou seja, para mim, metro é totalmente dispensável. Mas isso nunca fez com que eu deixasse de ir quando precisasse. Nunca tinha sido, até então, um empecilho para mim. Aliás metro não é a única coisa que me deixa desconfortável. Elevadores, lugares abertos, porém muito cheios, shows lotados etc. Me deixam desconfortável, entretanto, sempre lidei com esses lugares. É um tipo de claustrofobia controlada.

Voltando ao ponto principal, eu e minha mãe indo ao metro. Eu posso comparar o meu estado de espírito com o tempo que fazia naquele dia. Estava nublado e batia aqueles ventos que fazem você se arrepiar todo. Chegamos ao metro e a minha auto estima ficou deitada na minha cama, dormindo. Subimos à estação e andaaaaaaamos até quase o final para nos sentarmos e esperar os vagões chegarem. Esperamos naquela plataforma anormalmente fria. Eu estava entediada. Lembro-me que estava escutando a música Cassis no MP4 quando a lata de sardinha ambulante resolveu chegar me fazendo morrer de frio com o vento que ele trouxera consigo. Quando coloquei o pé naquele lugar, que me traz arrepios, comecei a suar frio, mas não deixei transparecer. Fiquei impaciente para sair logo dali. Era o que eu mais queria. Para o meu completo azar a gente teria que fazer a baldeação, ou seja, a minha dor iria continuar. E foi o que aconteceu. O pior é que o metro nem estava cheio.

Fomos em direção a segunda - e pior - fase do Apocalipse para a Jessica. Primeiro subimos aquelas escadas enooooooooooooooormes e quando chegamos lá em cima ainda tivemos que esperar o próximo vagão chegar. Repito, o metro não estava cheio, mas quando os vagões chegaram as pessoas se aglomeraram como se fossem hemácias aglutinadas. Quando eu vi aquelas pessoas ao meu redor que pareciam olhar, vidradas, para a pequena entrada que iria se fechar em poucos segundos. Segundos. Aconteceu tudo em poucos segundos. Eu dei um passo em direção ao vagão com a intenção de entrar. Há! (Como diz o Bruno) Só ficou na intenção. Parecia que o meu corpo congelara. Eu estava suando e só conseguia pensar "EU NÃO VOU ENTRAR AI! É MUITO APERTADO! NÃO! NÃO! NÃO!" Automaticamente recuei. Eu me senti um animal indefeso. Impossibilitado de fazer alguma coisa. Comecei a suar e a tremer. A minha visão ficou meio turva. Olhei para minha mãe e disse que não iria entrar lá. Pedi para irmos no próximo. Acho que eu estava com cara de assustada, pois a convenci rapidamente. Ela, serenamente, disse que podíamos ir no próximo e que não tinha problema. Resolvendo isso, ela me encaminhou em direção aos bancos da plataforma. Eu me sentei, mas sentia um arrepio extremamente incomodo que parecia subir e descer na minha coluna. Eu queria ir embora. Sabia que não devia ter saído da cama. Depois de algum tempo a estação deu o sinal que outro metro estaria chegando. Não foi nenhum sinal sonoro não. O que me fez pensar assim foram as pessoas que chegaram em peso na plataforma. Foi só olhar para eles que pude perceber o som dos trilhos. Nesse momento todos os meus sentidos estavam aguçados. Todos. Mas eu decidi enfrentar. Me levantei e me pus a esperar aquele monstro gelado abrir as suas portas. E ele, parecendo rir da minha fraqueza, fez o esperado. As pessoas, de novo, se aglutinaram para entrar naquele pequeno espaço. E eu, corajosamente, dei dois passos em direção ao vagão, mas nesse momento meu coração se acelerou, parecia que tinha alguma coisa entalada na minha garganta, me senti extremamente enjoada, a minha respiração começou a ficar pesada e difícil e ondas de calor pareciam passar por mim como se fosse vento. Tudo aconteceu em poucos segundos e intensamente. Eu só queria sair dali. Eu precisava sair dali. Eu virei para minha mãe e somente disse 'eu não quero entrar ai' e repeti essa frase como se fosse uma reza. Ela concordou e, automaticamente, me dirigi as escadas.

De todos, esse foi o pior momento, pois eu me senti a pessoa mais fraca da terra. Eu senti uma angústia e frustração que pareciam que me empurravam para um grande precipício. Esses sentimentos se traduziram em lágrimas. Lágrimas que eu tentava conter, mas elas me traiam e pareciam jorrar de meus olhos. Eu subi as escadas como se fosse um nada. O nada que não conseguia entrar em um metro. Me dei conta de várias coisas ao mesmo tempo. Eu estava tremendo e me sentia gelada por dentro e por fora. Me dei conta que eu poderia nunca mais entrar em um metro. Eu não sabia o que tinha acontecido. O porque de tudo.


Mas eu sabia que o meu problema era psicológico. E ele não iria me vencer.

1 de julho de 2009

Ataque de Pânico - Curso (1)

Duas semanas doente. A primeira: Fisicamente. A segunda: Psicologicamente.

Não sei bem o que eu tinha na primeira semana. Nos primeiros dias vomitei muito e nos resto da semana tive uma grande repulsa por comida. Essa falta de comida me deixou muito fraca, muito mesmo. Eu teria passado bem, claro, se eu não tivesse me culpado por estar faltando o curso. Só naqueles poucos dias que eu faltei, o pensamento de ‘Não passarei’ rondou a minha mente MILHÕES de vezes. Acho que quanto mais eu pensava isso mais me dava náuseas ao ver comida. Afinal, a pior pressão é que você faz em si mesmo.

Na quinta-feira dessa primeira semana eu decidi que já estava bem para ir pro curso. A minha teimosia foi tanta que eu mesma quis me enganar. Eu sabia que não estava bem, sabia que deveria ficar em casa. Mas eu só pensava que estava perdendo muitas matérias e que isso iria me atrasar. Atire a primeira pedra quem nunca enlouqueceu por causa do vestibular! Parece que é a sua vida que está em jogo! Que todos sabem mais que você. Você aponta para si mesmo que você é o pior de todos. A ordem é se matar de estudar.

E eu com essa ‘sabedoria’ toda fui para o curso doente. A boa notícia é que eu, com toda a certeza, paguei por isso. Para você, leitor, ter uma noção, eu cheguei às 7 horas e não levantei para NADA! Eu simplesmente não tinha ânimo para levantar. Eu me sentia fraca. O pior é que eu estava feliz por estar no curso. Estava feliz por estar naquela sala, competindo. Por que parece que vestibular é uma competição sem limites. Mesmo que você não verbalize isso dá para sentir. Enfim, quando foi por volta das 11:30 e a professora começou a explicar eu me senti estranha. Tudo começou a girar. Parecia que eu ia desmaiar ou vomitar ali mesmo. Ao mesmo tempo eu comecei a sentir fortes ondas de calor. Abaixei a cabeça, respirei fundo e tentei me acalmar. Foi quando eu levantei a cabeça que tudo girou de verdade. Eu tinha que sair dali. Eu necessitava sair dali. Nesse momento o John ( o menino que estava sentado ao meu lado) perguntou se eu estava bem. Automaticamente respondi que não. Ele encostou em mim e falou que eu estava gelada. Como se eu estava pegando fogo?! Um garoto chamou a atenção dele e ele virou para olhá-lo e eu, bruscamente, o puxei de volta e disse que precisava sair dali se não eu poderia desmaiar. Ele perguntou se eu queria que ele ajudasse e eu, obviamente, concordei. Pedi, ainda, para que ele me segurasse. Tudo estava girando muito intensamente. Quando eu levantei, percebi que as minhas pernas estavam tremendo e, ao começar a andar, senti a sala se fechando sobre mim. Apressei os meus passos. Parecia que eu estava ficando sufocada. Precisava sair dali o mais rápido possível. A distância da onde eu sento para a porta é de uns dez passos. Mais pareceu que levou horas até eu conseguir atravessar esse caminho. Era angustiante sentir a sala ficar pequena.

Mas finalmente consegui sair. Já comecei a me sentir um pouco melhor nesse momento. Foi uma sensação libertadora. Entretanto eu ainda estava tremendo e com muito calor. Se não fosse trágico eu riria da cara de espanto do John ( ele é tão fofoooooo (L) ). Fui ao banheiro molhar o rosto e pedi ao John me arrumar água e sal (pensei que a minha pressão podia ter baixado ). Ele me convenceu a ir à Clarice (ela trabalha na secretária do curso) que poderia me ajudar. Eu fui e ela me fez comer um misto quente e ai sim eu comecei a melhorar. A gente começou a conversar e eu esqueci um pouco do que aconteceu.

Continua....

Rótulos

Agora o assunto é sexualidade!

Desde que o meu melhor amigo me contou ser homossexual, tenho tentado 'entender' muitas coisas dais quais nunca quis pensar. Naquela época eu era um 'poço' de preconceitos - muitos deles eram apenas palavras repetidas e sem fundamentos. Entretanto, quando ele me contou, não senti nenhum preconceito. Não havia nele aquela doença que, até então, eu achava que os homossexuais tinham. Ele era legal. Gostava de conversar com ele. Depois da 'revelação' veio a consequência. Eu queria saber tudo. Tudo que eu não conhecia. Eu estava fascinada. Queria saber como ele havia se tornado homossexual. Irônico? Também admito. Mas eu não me importava. Hoje vejo que foi ótimo ele ter se tornado meu amigo. Afinal, ele me salvou daquele mundo sem graça no qual eu vivia. ( Te amo Fábio! =* )

Mas não era sobre a minha amizade colorida que eu queria falar.

Eu quero falar sobre os rótulos que nós mesmos fazemos.
Mesmo na minha pequena experiência neste mundo em que vivemos pude perceber que, incansavelmente, fugimos dos rótulos. Das coisas que são comuns. "Quanto mais eu puder mostrar que sou diferente, melhor." Talvez isso seja feito para que sejamos notados de alguma forma. Mas já parou pra pensar que saímos de um rótulo para cair, justamente, em outro?
Como exemplo, vou usar a sexualidade. Ser homossexual. No dicionário: " Que ou quem sente atração sexual por pessoas do mesmo sexo ou tem relações sexuais ou afetivas com pessoas do mesmo sexo." É impressão minha ou isso também não virou um rótulo? Você chega para um homem homossexual e pergunta: "Você ficaria com alguma garota?" E adivinha qual vai ser a resposta? "Garotas? Claro que não" Alguns ainda vão dizer: "Eca!!"
Se você pensar bem e trocar apenas uma palavra... Não seria a resposta de um heterossexual?
Porque a eterna rejeição? É como se fosse impossível! Esse tipo de opinião não tem fundamentos!
Em minha opinião, o ser humano é passível a amar e/ou ter atração sexual por ambos os sexos. É só uma questão de lógica e mente aberta. Só. Não se precisa de grandes conhecimentos pra chegar a essa conclusão. Basta parar de deixar os vícios naturais da sociedade te influenciarem.
Eu acho que TODOS deveríamos ser Bissexuais. Eu sei que também acaba sendo um rótulo. Mas, a meu ver, é o menos pior dos três citados. Uma vez que você não se prende as convenções que parecem ser obrigatórias. Você estará aberto para 'n' possibilidades de amor e compreensão.

Será que eu consegui me expressar? Para mim parece tão fácil e tão complexo!





Obs: Sou, sim, bissexual.

30 de junho de 2009

28 de junho de 2009

Como foi a minha primeira prova de vestibular: UERJ ( PARTE 1 )

Dia 21 de Junho. Dia marcado para acontecer a prova da Uerj. Eu queria não ter passado por MILHÕES de problemas semanas antes da prova. Esses problemas criaram um relaxamento em mim. Não sei dizer o que realmente se passava na minha cabeça. Eu só queria que a prova viesse e fosse rapidamente. Metade de mim queria ficar em casa e a outra metade estava com uma grande sede de aventura e de ver os desafios daquela prova. É sempre assim comigo, uma parte de mim se torna uma pantera feroz que controla (ou descontrola) todos os meus sentimentos e a outra parte é tímida e sem vontade de grandes feitos . A pantera tem olhos de gato. Foi essa pantera que foi fazer a prova. A parte que queria fugir foi devidamente anestesiada e adormecida.

Demorei a dormir na véspera da prova. Rezava para que os meus amigos conseguissem bons conceitos. Repetia os nomes em minha cabeça e mentalizava a vitória de todos. Imaginava os sorrisos deles junto ao meu. A última coisa que lembro antes de apagar foi vários rostos que merecem estar na faculdade no ano que vem. Não me lembro dos meus sonhos naquela noite, entretanto, certamente foram ansiosos, uma vez que acordei várias vezes durante a noite. Ao levantar senti uma enorme onda de euforia misturada com nervosismo e emoção. Como na noite anterior, procurei mentalizar a calma e a vitória de todos que me cercam e inclusive a minha vitória. A primeira coisa que fiz foi ligar pra Marcelle para acordá-la. Mesmo que naquele “Bom dia” meio sonolento tentei expressar um pouco do meu bem-estar. Me arrumei com calma e não dispensei o café da manhã reforçado. A minha mãe demorou um pouco mais para terminar de se arrumar e decidi descer para esperar a Marcelle chegar com o Fábio que, mesmo sem fazer a prova, foi para dar uma força pra gente. A Marcelle chegou logo e a minha mãe cismou que a gente devia ir de táxi. Fiquei um pouco irritada de começo por que não gosto de gastar mó dinheiro com táxi se a gente podia ir de ônibus, mas tentei me colocar no lugar da minha mãe, ela tem ficado mais nervosa com o vestibular do eu. Pegamos o táxi e estávamos a caminho daquele momento tão esperado. Dentro do carro, senti uma boa vibração vinda da Marcelle, apesar de parecer ansiosa havia um ‘quê’ de aventura nela que parecia espelhar o que eu estava sentindo. Me senti bem com isso. Estava feliz. Isso que importava. A felicidade me deu uma certa calma.

Achei tudo muito cômico quando chegamos lá. Eu consegui distinguir vários rostos na multidão, mesmo aqueles que não tinham nome que, por ventura, passaram na minha vida pouco percebidos. Encontrei o pessoal do Bahiense em peso lá. Não me assustei com a multidão. Era previsível. Mas, por um lado eu me senti mal pela minha mãe. Eu estava plenamente consciente da preocupação dela. Afinal, era a primeira vez que eu estava no meio de uma multidão depois do dia do meu ataque de pânico no metro. Procurei passar a minha confiança pra ela.. só não sei se ela percebeu. Ela ficou ainda mais apreensiva quando os portões abriam. Eu estava tranquila. Queria mesmo era entrar logo. Eu e a Marcelle entramos depois de uns 10 minutos que os portões se abriram, ainda assim a minha mãe queria que esperássemos mais. Tentei mais ainda passar a minha tranquilidade para ela e prometi dar um ‘tchauzinho’ antes de entrar. Foi o que fizemos. Foi engraçado que até o pessoal do Equipe de Apoio (curso da Marcelle) acenou pra gente. Me sentia feliz. Muito feliz.

A pantera dentro de mim rugia. Queria mais. E ela teve. Quando conseguimos chegar ao pátio daquela faculdade fiquei fascinada. Era enorme. Vários andares e entradas para todos os lados. Mas tinha um problema. Para onde nós teríamos que ir para chegar em nossas salas? Tinha tanta gente andando que ficamos desnorteadas. Eu estava com medo de perder os meus documentos ( que estavam na minha mão). A Marcelle estava mais preocupada em falar com o muralha-em-pessoa que trabalhava lá. O cara era assustador! Devia ter uns 2 metros de altura e largura. E a Marcelle ainda teve coragem de ir lá falar com ele! Depois ela ainda ME CHAMA de peito de ferro! Mas enfim, depois que conseguimos achar o corredor certo pra subir, seguimos o nosso comigo e deixamos o gorila pra trás. Subimos, subimos, subimos, subimos, subimos... Parecia que não ia chegar nunca! Ainda bem que chegamos cedo. Fiquei imaginando como as pessoas que chegarem em cima da hora iriam correr. Depois de algum tempo cheguei ao meu andar e me despedi da Marcelle ( ela iria para o próximo ). Fui em direção a minha sala sendo acompanhada pela Jéssica (Ela faz Bahiense comigo - ela estava desde a entrada com a gente mas não mencionei porque ela não faz parte do elenco principal =x) conseguimos achar a nossa sala depois de mais alguma tempo (Até ai eu já estava achando que estava numa Hogwarts da vida /Louca ). Me despedi da Jéssica também, pois ela ia para próxima sala. Quando entrei na minha sala a fiscal pediu pra eu colocar o meu celular numa espécie de sacolinha que seria lacrada. Seria menos humilhante se eu não tivesse ‘perdido’ o meu celular na mochila. Tive que revirar tudo. Todo mundo olhou pra mim e comecei a me achar uma idiota e a ficar com vergonha. Mas fiquei muito feliz quando consegui achar o maldito telefone e o coloquei na sacola com um ar de triunfo no rosto ( 666 ). Depois assinei uma lista lá e, finalmente, fui me sentar. Logo percebi que tinha uma garota lá do meu curso na minha sala. Eu sempre a achei estranha. Ela sempre some no intervalo e volta com o cabelo SUPER molhado, mas com a mesma roupa. Estranha. Enfim, me sentei e comecei a marcar território. Olhei pra tudo quanto é canto e para pessoas. Pessoas? Isso foi muito generalizado! Só tinha garota na minha sala. E SÓ TINHA JESSICA! A fiscal ficava que nem retardada rindo disso. Odiei, de novo, aquela maldita música que fez uma legião de mães mudarem o nome de suas filhas (inclusive a minha). Teve uma hora que eu tava distraída com o nada e alguém desconhecido chamou ‘Jessica’, TODAS olharam. Fiquei muito envergonhada.

Continua....